Foto: JOSE LUCENA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO
O governo do Rio confirmou, nesta quarta-feira (29), 121 mortos durante a megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio. O secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, afirmou que 117 eram suspeitos e 4 eram policiais. A ação envolveu 2.500 agentes e tinha como objetivo prender chefes do Comando Vermelho refugiados na região.
Ainda assim, moradores relatam números ainda maiores. Durante a madrugada, eles retiraram mais de 70 corpos da mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia, e levaram os cadáveres para a Praça São Lucas, onde familiares tentaram reconhecê-los.
Números divergentes e falta de explicação oficial
As informações divulgadas pelo governo mudaram ao longo de 24 horas, o que gerou questionamentos sobre transparência:
- Primeiro balanço apontou 64 mortos, incluindo 4 policiais.
- Pela manhã, o governador Cláudio Castro reduziu para 58 mortos.
- Horas depois, a cúpula da segurança atualizou para 121 mortos.
- Moradores falam em 74 corpos levados à praça.
- Curi afirma em 63 corpos retirados da mata.
A perícia ainda precisa confirmar se todos os mortos têm relação com os confrontos da operação.
Estratégia e cerco armado
De acordo com a Polícia Militar, o Bope criou um “Muro do Bope”, empurrando criminosos para dentro da mata, onde equipes já estavam posicionadas. Houve uso intenso de tiros de fuzil e barricadas incendiadas. Em retaliação, criminosos lançaram explosivos por drones, o que ampliou os riscos para moradores da região.
Cerca de 113 suspeitos foram presos, incluindo 33 de outros estados — como Amazonas, Ceará, Pará e Pernambuco — o que indica, segundo as investigações, a expansão interestadual da facção.
Corpos levados para a praça e denúncia de violência extrema
Moradores explicam que colocaram os corpos nas ruas para facilitar o reconhecimento visual por parentes. Muitos estavam sem camisa, exibindo tatuagens e marcas identificadoras. Alguns cadáveres tinham rostos desfigurados e um estava decapitado.
Polícia fala em fraude processual
A Polícia Civil alega que a remoção dos corpos da mata pode ter alterado provas. Segundo Curi, alguns mortos tiveram roupas táticas removidas para esconder o vínculo com o crime.
A 22ª DP instaurou inquérito para apurar o caso sob suspeita de fraude processual.
Atendimento às famílias e necropsias
O reconhecimento oficial dos mortos acontece no Detran ao lado do IML, no Centro do Rio. O acesso ao prédio está restrito a agentes da Polícia Civil e do Ministério Público até o fim da perícia. Já as necropsias não relacionadas à operação foram transferidas para o IML de Niterói.