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Com o passaporte retido por ordem de Alexandre de Moraes, do STF, ex-presidente não irá à evento nos EUA e mulher o representará.

Impedido de sair do Brasil, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) viveu um momento de frustração ao acompanhar sua esposa, Michelle Bolsonaro, ao aeroporto de Brasília neste sábado (18). Ela embarcou para os Estados Unidos, onde participará da cerimônia de posse de Donald Trump como presidente. Bolsonaro, que afirma ter sido convidado pessoalmente por Trump, não pôde comparecer devido à retenção de seu passaporte por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Passaporte retido e frustração

O ex-presidente teve o passaporte apreendido em fevereiro de 2024, sob suspeita de que poderia deixar o país para evitar investigações relacionadas à tentativa de golpe de Estado em 2022. Recentemente, o STF negou dois pedidos de devolução do documento, argumentando que as razões para sua retenção ainda são válidas e que não há interesse público em sua viagem.

“Obviamente seria muito bom estar lá. O presidente Trump gostaria muito, tanto é que me convidou. Estou chateado, abalado, mas enfrento uma enorme perseguição política por parte de uma pessoa”, afirmou Bolsonaro, referindo-se indiretamente ao ministro Alexandre de Moraes.

Ao falar sobre sua situação, o ex-presidente chorou, declarou-se um “preso político” e afirmou estar constrangido por não poder participar do evento. Ele ainda mencionou temer ser obrigado a usar tornozeleira eletrônica: “Espero que a sua excelência não queira colocar isso em mim para me humilhar de vez.”

Michelle como representante e expectativas em Trump

Diante da impossibilidade de viajar, Bolsonaro destacou que Michelle o representará na cerimônia e também mencionou que seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, e a esposa dele estarão presentes. Segundo o ex-presidente, ele havia organizado encontros com chefes de Estado por intermédio de Eduardo, mas lamentou não poder participar pessoalmente.

Foto: Brenno Carvalho/ O Globo

Bolsonaro expressou grande admiração por Donald Trump e depositou expectativas no novo presidente americano para “colaborar com a democracia brasileira”. “Se ele me convidou, é porque acredita que pode ajudar a afastar minhas inelegibilidades políticas”, disse, sem detalhar como isso seria possível.

Inelegibilidade e reflexões políticas

Bolsonaro, que perdeu seus direitos políticos em processos relacionados à disseminação de informações falsas e ataques às instituições democráticas, enfrenta um cenário complicado. “Trump entende o que está acontecendo. Há uma grande semelhança entre nós. Ele também sofreu ataques e perseguições. Gostaria de apertar a mão dele e conversar sobre o futuro, mas infelizmente não será possível desta vez.”

Enquanto Michelle embarcava, Bolsonaro reiterou suas críticas ao que chamou de “lawfare” — o uso de processos jurídicos para fins políticos — e afirmou que continuará defendendo sua inocência e sua relevância no cenário político brasileiro.

A cerimônia de posse de Donald Trump acontece nesta segunda-feira (20) nos Estados Unidos e reunirá líderes e convidados de todo o mundo.

fonte: oglobo.globo.com

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