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A economia da zona do euro ficou estagnada no quarto trimestre de 2024, frustrando expectativas de crescimento. O resultado reflete a contração da Alemanha (-0,2%) e da França (-0,1%), que puxaram o desempenho do bloco para baixo. Itália manteve estabilidade, enquanto a Espanha cresceu 0,8%, tornando-se a única grande economia da região a apresentar avanço significativo.
O fraco desempenho econômico foi impulsionado por um consumo retraído, crise política em Berlim e desafios fiscais em Paris. Além disso, a ameaça de tarifas dos EUA sobre produtos europeus aumentou a incerteza no mercado, afetando a confiança de investidores e empresas.
Crise na Alemanha e incerteza política
A Alemanha, maior economia da Europa, entrou no segundo ano consecutivo de recessão. O país se prepara para novas eleições em fevereiro, com grande possibilidade de mudança no governo. O candidato conservador Friedrich Merz, favorito para substituir Olaf Scholz, promete cortes de impostos e desregulamentação para estimular o crescimento. No entanto, especialistas duvidam da eficácia dessas medidas diante da desaceleração da indústria e dos altos custos de energia.
O setor industrial alemão segue pressionado, com empresas como a Continental AG anunciando cortes para conter prejuízos. Diante desse cenário, o governo reduziu a projeção de crescimento para 2025, de 1,1% para apenas 0,3%.
França enfrenta crise fiscal e desconfiança empresarial
Na França, o PIB recuou inesperadamente. O consumo enfraquecido e a redução dos investimentos empresariais agravaram o quadro econômico. Além disso, o déficit público atingiu 6% do PIB, forçando o governo a adotar medidas emergenciais.
O primeiro-ministro François Bayrou levará ao parlamento uma proposta de novos impostos e cortes de gastos na tentativa de evitar um colapso fiscal. No entanto, empresários seguem céticos. Patrick Martin, presidente do grupo empresarial Medef, alertou sobre a “deterioração real da economia francesa”.
Banco Central Europeu deve cortar juros
Para estimular a economia, o Banco Central Europeu (BCE) deve anunciar um corte na taxa de juros para 2,75% ainda nesta quinta-feira. A medida visa reduzir o custo do crédito e impulsionar investimentos. No entanto, especialistas alertam que um relaxamento monetário pode dificultar o controle da inflação, especialmente em países como a Espanha, onde os preços subiram 2,9% em janeiro.
Fonte: www.bbc.com