O Rio de Janeiro registrou um aumento alarmante nos roubos de veículos nos primeiros dias de fevereiro. Entre 30 de janeiro e 2 de fevereiro de 2025, foram 827 ocorrências, elevando a média para 206 crimes por dia. O crescimento de 138% em relação ao mesmo período do ano anterior acende um alerta para motoristas e seguradoras.
Facção criminosa e retaliação
Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro (Sesp-RJ), o aumento nos roubos pode estar relacionado a uma retaliação do Comando Vermelho (CV) contra operações policiais. Apenas em janeiro, a Polícia Militar apreendeu 84 fuzis, 15% do total apreendido em 2024. Para o secretário Victor Santos, o impacto das operações levou a uma resposta direta dos criminosos.
“O fuzil é a principal ferramenta para a dominação territorial das facções. A redução desse armamento gera descontentamento entre os criminosos”, explicou o secretário. As operações subiram para uma média de 3,44 por dia, intensificando o confronto entre forças de segurança e o crime organizado.
Mercado ilegal de resgate de veículos
O avanço das facções não se restringe ao tráfico de drogas. Investigações apontam que grupos criminosos operam um mercado clandestino de resgate de veículos roubados. Motoristas vítimas do crime são pressionados a pagar valores entre R$ 3.000 para motos e R$ 30.000 para SUVs para reaver seus automóveis.
Além disso, facções impõem cobranças ilegais por serviços essenciais, como água, luz e internet, ampliando seu controle sobre a população. “Estamos investigando como esses crimes se correlacionam para buscar soluções efetivas”, afirmou Santos.
Seguro mais caro e dificuldade na contratação
O aumento da criminalidade impacta diretamente o setor de seguros. Moradores de regiões com maior incidência de roubos, como Bonsucesso, Pavuna e Duque de Caxias, enfrentam dificuldades para contratar seguros para seus veículos.
O geógrafo Hugo Costa, vítima de um assalto em 2022, relatou sua frustração ao tentar assegurar um novo automóvel. “Algumas seguradoras recusaram o contrato, enquanto outras cobravam valores absurdos. Precisei trocar de modelo para conseguir um seguro mais acessível”, contou.
De acordo com Keila Farias, vice-presidente da comissão de auto da Federação Nacional de Seguros Gerais, a precificação das apólices considera diversos fatores, incluindo o CEP do segurado. “Regiões com maior índice de roubo e furto influenciam diretamente no valor do seguro. O aumento recente dos crimes afeta a aceitação pelas seguradoras”, explicou.
Bairros mais afetados
Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram que a Zona Norte lidera o ranking de roubos de veículos. Delegacias como a 27ª DP (Vicente de Carvalho), a 39ª DP (Pavuna) e a 21ª DP (Bonsucesso) registraram mais de 1.100 ocorrências cada. Na Baixada Fluminense, Belford Roxo e Duque de Caxias também apresentaram índices alarmantes, ultrapassando 1.700 casos cada.
A Secretaria de Segurança Pública pede que a população denuncie atividades ilícitas e evite a negociação direta com criminosos para recuperar veículos roubados. “O crime contra o patrimônio afeta diretamente a sensação de segurança da população. Precisamos combater essa prática com inteligência e denúncias”, concluiu Santos.
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