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Disputa eleitoral será marcada por embate sobre ameaça econômica e política do presidente dos EUA.

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, antecipou as eleições em meio a embate com Donald Trump

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, anunciou neste domingo (23) a convocação de eleições antecipadas para 28 de abril. A decisão ocorre em um momento de instabilidade política e econômica, intensificada pela ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que já sugeriu a anexação do Canadá e impôs tarifas que podem levar o país a uma recessão.

A campanha eleitoral deve girar em torno da principal questão para os canadenses: quem está mais preparado para lidar com Trump e proteger a soberania do país?

Mudança política e ascensão de Carney

Carney, um ex-banqueiro central de 60 anos, assumiu o cargo de primeiro-ministro em 14 de março, após conquistar a liderança do Partido Liberal. Ele substituiu Justin Trudeau, que renunciou em janeiro diante de um declínio de popularidade e uma rebelião interna em seu partido.

Antes da crise política, os conservadores, liderados por Pierre Poilievre, dominavam as pesquisas e pareciam caminhar para uma vitória histórica. No entanto, o cenário mudou rapidamente com a renúncia de Trudeau e as recentes tensões com Trump. Pesquisas indicam que a diferença entre os partidos praticamente desapareceu, tornando a eleição altamente competitiva.

O impacto de Trump na eleição canadense

O retorno de Trump à presidência dos EUA transformou o cenário político do Canadá. Suas ameaças de tarifas comerciais e a retórica agressiva sobre a soberania canadense despertaram uma onda de preocupação entre os eleitores.

Trump já insinuou a possibilidade de redesenhar a fronteira entre os dois países e pressionou economicamente o Canadá com medidas que podem prejudicar setores estratégicos. Essas ações fizeram com que muitos canadenses passassem a enxergá-lo como uma ameaça direta ao país.

Diante desse contexto, Carney tenta se posicionar como um líder experiente e capaz de enfrentar crises. Com um histórico sólido no setor financeiro, ele liderou o Banco do Canadá durante a crise de 2008 e o Banco da Inglaterra durante o Brexit. Sua campanha enfatiza a necessidade de um gestor equilibrado para lidar com a instabilidade gerada pelo governo Trump.

Poilievre: um populista em xeque

Enquanto Carney se apresenta como um especialista em gestão de crises, Pierre Poilievre aposta no discurso populista e nacionalista. Líder do Partido Conservador desde 2022, ele ganhou projeção ao apoiar os protestos de caminhoneiros contra medidas do governo e ao criticar duramente os impostos, o custo de vida e a inflação pós-pandemia.

No entanto, sua retórica agressiva contra o governo perdeu força à medida que Trump passou a ser visto como o maior problema. Sua frase de campanha “O Canadá está quebrado” não ressoa mais com a mesma intensidade, já que os eleitores agora buscam estabilidade diante da ameaça americana.

Poilievre também enfrenta um dilema político: enquanto precisa criticar Trump para conquistar eleitores moderados, não pode se afastar completamente do ex-presidente, pois parte de sua base conservadora apoia o líder americano.

Carney aposta na firmeza contra os EUA

Desde que assumiu o cargo, Carney adotou medidas para fortalecer a posição do Canadá. Ele eliminou algumas políticas do governo Trudeau, incluindo o imposto sobre carbono para consumidores, e reforçou laços com aliados europeus.

Ele defende a aplicação de tarifas retaliatórias contra os EUA, mas admite que há um limite para essa estratégia, pois a economia canadense é significativamente menor que a americana.

Além disso, o primeiro-ministro enfrenta questionamentos sobre sua falta de experiência política e dificuldades em debates públicos. Especialistas apontam que sua campanha será um teste decisivo para sua capacidade de comunicação e liderança.

O papel de Trump no desfecho da eleição

Diferente de presidentes anteriores dos EUA, Trump não emitiu uma declaração oficial sobre Carney. No entanto, em entrevistas, ele deu declarações contraditórias sobre sua preferência política. Em janeiro, afirmou que gostaria de ver Poilievre vencer, mas recentemente disse que “lidar com um liberal pode ser mais fácil”.

O fator Trump transformou esta eleição em um plebiscito sobre a soberania canadense e a capacidade de resistência do país diante da pressão americana. Analistas apontam que os eleitores buscarão um líder que traga estabilidade e proteja os interesses do Canadá em um momento de incerteza global.

Fontes:
estadao.com.br
g1.globo.com
bbc.com

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