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Parcelamento vira aliado do consumidor, enquanto indústria aposta em barras, bombons e miniaturas para driblar queda nas vendas de ovos tradicionais.

DIRCEU PORTUGAL/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Em 2025, os ovos de Páscoa estão, em média, 8,86% mais caros no Brasil. O aumento, medido pelo Instituto Brasileiro de Economia da FGV, acompanha uma mudança significativa no comportamento de compra do consumidor. Segundo a Euromonitor International, o volume de vendas de chocolates sazonais deve cair 12% neste ano em comparação com 2024, somando 7.320 toneladas. A última retração havia sido registrada em 2021, auge da pandemia.

Esse cenário é reflexo direto da disparada no preço do cacau no mercado internacional. O IBGE registrou alta de 21,7% no valor das barras e bombons nos últimos 12 meses até março. Além disso, insumos como manteiga de cacau e leite seguem em elevação, elevando o custo de produção e impactando diretamente o consumidor final.

Ovos menores são os mais afetados

A variação de preços atinge principalmente os ovos menores. Os produtos com até 100g ficaram 23,1% mais caros, enquanto os ovos de até 400g subiram 12,06%. Já os maiores, com mais de 600g, tiveram alta de 7%. Com o cenário desfavorável, a indústria optou por reduzir em 22,5% a produção de ovos em 2025, com 45 milhões de unidades colocadas no mercado.

Mesmo com a queda no volume, o valor arrecadado tende a crescer. Segundo especialistas, o setor deve registrar aumento de dois dígitos nas vendas em reais, impulsionado pelos reajustes.

Indústria aposta na diversificação

Diante dos altos custos de produção e transporte — que envolvem embalagem especial e caminhões refrigerados — os fabricantes decidiram diversificar a oferta de produtos. A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates (Abicab) aponta um crescimento de 611 para 803 itens diferentes neste ano.

Assim, barras presenteáveis, caixas de bombons e mini coelhos de chocolate ganham espaço nas gôndolas. Marcas como Hershey’s e Ferrero apostaram em campanhas na TV para divulgar as barras como alternativa mais barata. No varejo, Carrefour e Americanas oferecem parcelamento em até dez vezes, com foco em atrair consumidores que desejam manter o consumo sem comprometer o orçamento.

O varejo também se adapta

A Scanntech, que monitora vendas do varejo alimentar, mostra que o consumidor migrou para produtos regulares. Na semana anterior à Páscoa, os ovos representavam apenas 1,4% do volume de chocolates vendidos. Já os bombons responderam por 44% das vendas, enquanto os tabletes alcançaram 31%.

Essa mudança vem se consolidando nos últimos anos. Em 2024, por exemplo, bombons já representavam 52% do volume de chocolates vendidos na Páscoa, superando os ovos. A tendência deve continuar em 2025, impulsionada pelos preços mais acessíveis e pela praticidade dos produtos alternativos.

Fontes:
jovempan.com.br
1.folha.uol.com.br

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