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Trabalhadores da orla criticam falta de diálogo e temem demissões após medidas que entram em vigor em 1º de junho. Orla Rio e vereadores pedem revisão.

Donos de barracas na praia protestam contra novas regras nas orlas — Foto: Reprodução/TV Globo

Ambulantes, barraqueiros e comerciantes da orla protestaram nesta segunda-feira (26), em Copacabana, contra o novo decreto da Prefeitura do Rio. A norma, que passa a valer a partir de 1º de junho, proíbe o uso de caixas de som, instrumentos musicais, garrafas de vidro e limita o trabalho na areia apenas a ambulantes cadastrados.

Eles ocuparam duas faixas da Avenida Atlântica com faixas e cartazes, pedindo diálogo direto com o prefeito Eduardo Paes. Às 15h, o grupo já havia se deslocado até a Avenida Vieira Souto, em Ipanema, mantendo a manifestação ativa.

Trabalhadores pedem diálogo imediato

Durante o protesto, muitos ambulantes relataram frustração por não conseguirem se cadastrar. Além disso, alegam que não houve qualquer conversa prévia com a prefeitura.

“Se quiserem trocar o palito pelo papel, tudo bem, a gente aceita. Mas nem vieram conversar”, reclamou Ari Ferreira, que vende queijo assado nas areias de Copacabana.

Ambulantes como Ari afirmam que desejam regularizar sua situação, mas não conseguem ser atendidos. Segundo eles, a falta de diálogo da prefeitura ameaça diretamente o sustento de centenas de famílias.

Música ao vivo e empregos em risco

O decreto também determina o fim da música ao vivo em quiosques. A Orla Rio, empresa responsável pela concessão, criticou duramente a medida. De acordo com a entidade, a música contribui com mais de 10% no ticket médio dos estabelecimentos e sustenta mais de 1.200 empregos diretos e indiretos.

Bruno de Paula, empresário que comanda cinco quiosques, destacou:
“A música é essencial para atrair turistas e manter empregos. Só meus quiosques contratam mais de 550 músicos por mês.”

A Orla Rio estima perdas milionárias se a música for proibida, principalmente durante a baixa temporada, quando a atração sonora impulsiona o movimento.

Vereadores tentam intermediar negociação

Uma audiência pública realizada na Câmara Municipal também abordou o decreto. O encontro, convocado anteriormente para discutir o projeto do vereador Flavio Valle (PSD), acabou tomando novas proporções. Parlamentares e representantes dos comerciantes cobraram flexibilização das regras, principalmente em relação à música.

Embora todos reconheçam a importância de organizar a orla carioca, muitos criticam a falta de sensibilidade da prefeitura ao impor as medidas de forma unilateral.

Fiscalização começa em junho

A Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) anunciou que iniciará a fiscalização a partir do dia 1º de junho. Até lá, os agentes realizarão ações de orientação com barraqueiros, quiosqueiros e ambulantes.

Na terça-feira (27), a Prefeitura marcou uma reunião com os donos de quiosques e barracas. Representantes da Câmara também devem participar para tentar avançar em uma solução consensual.

Fonte: g1.globo.com

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