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Secretaria de Transportes projeta aumento de meio milhão de passageiros diários e promete melhorias na qualidade do serviço, apesar do rombo nas contas públicas.

Pichação na avenida Presidente Vargas reclama do preço do Metrô — Foto: Gabriel de Paiva

Mesmo com um déficit de R$ 14,6 bilhões previsto para este ano, o Governo do Estado do Rio de Janeiro estuda reduzir as passagens de metrô e trem para R$ 4,70. A proposta segue o modelo aplicado nas barcas desde março. O secretário estadual de Transportes, Washington Reis, afirmou que a medida pode atrair cerca de 500 mil novos passageiros por dia para os trilhos.

Segundo o governo, o número de usuários do metrô saltaria de 650 mil para 900 mil diários. Já os trens, que hoje transportam 358 mil passageiros por dia, passariam a atender 600 mil. A ideia é incentivar o uso do transporte coletivo e desafogar o tráfego urbano.

Subsídio será bancado pelo Fundo de Combate à Pobreza

A redução das tarifas deve custar R$ 300 milhões aos cofres públicos ainda em 2025. Em 2026, o impacto financeiro aumentaria para R$ 500 milhões. O estado pretende usar o Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza (FECP), que possui cerca de R$ 5 bilhões disponíveis.

A implementação da proposta depende da assinatura de um decreto pelo governador Cláudio Castro (PL). Embora ainda não haja data oficial para o início da nova tarifa, o governo considera o investimento “baixo diante dos benefícios”, conforme declarou o secretário Reis.

Especialistas alertam para riscos fiscais e operacionais

Embora a proposta possa aliviar o bolso da população, especialistas apontam riscos. O economista André Luiz Marques, do Insper, alerta: “não existe almoço grátis”. Ele ressalta que o subsídio gerará pressão sobre o orçamento estadual no longo prazo.

O deputado Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSD), membro da Comissão de Tributação da Alerj, também demonstrou preocupação com o rombo nas contas. Ele sugere que o fundo de transportes, e não o FECP, poderia arcar com parte dos custos.

Já Marcus Quintela, diretor da FGV Transportes, lembrou que o MetrôRio é a única concessão do país que sobrevive sem subsídios. Por isso, possui a tarifa mais cara do Brasil. Ele defende que a redução deve vir acompanhada de melhorias na oferta, sob risco de caos no sistema.

Superlotação e má qualidade preocupam usuários

Uma pesquisa recente da FGV Transportes mostrou que 40% dos usuários do transporte público no Rio avaliam a mobilidade urbana como ruim ou péssima. A nota média da cidade foi de 4,6 — a mais baixa entre Rio, São Paulo e Belo Horizonte.

Passageiros se queixam da superlotação, má conservação e longos intervalos. “Pagar R$ 7,60 para andar esmagada no ramal Japeri é um absurdo”, desabafa Marina Alves, moradora da Baixada Fluminense.

Para evitar o colapso, o Estado já anunciou a compra de 40 novos trens e 10 composições para o metrô. A Secretaria de Transportes pretende reduzir os intervalos entre as viagens e melhorar o conforto dos passageiros.

Experiência positiva com as barcas anima o governo

A redução tarifária nas barcas, implementada em março, gerou impacto direto no trânsito da cidade. A linha Charitas, por exemplo, passou de R$ 21 para R$ 7,70 e registrou aumento de 112% na demanda. Em abril, a linha bateu recorde de passageiros, com 7.445 em um único dia.

Além disso, o Centro de Controle de Operações apontou uma redução de 24 mil veículos por mês nas ruas de Niterói. O governo acredita que a medida pode ter efeito semelhante se aplicada nos trilhos.

Concessões e licitações em debate

Enquanto o governo discute a nova tarifa, mudanças estruturais também avançam. A SuperVia deverá devolver a concessão dos trens entre julho e setembro. A expectativa é que o Estado assuma o controle da bilhetagem e licite apenas a operação, repetindo o modelo das barcas.

Segundo o deputado Luiz Paulo, isso daria mais flexibilidade ao governo para definir o valor da tarifa e garantir subsídios. Já no caso do metrô, por se tratar de uma concessão, a redução dependeria de subsídio direto ao operador, o que torna a operação mais complexa.

Fonte: oglobo.globo.com

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