José Boto e Bap no Ninho do Urubu, CT do Flamengo — Foto: Marcelo Cortes / CRF
A pressão nos bastidores da Gávea se intensificou nos últimos dias e deixou evidente a crise entre José Boto e o Flamengo. A repercussão negativa sobre a contratação do atacante Mikey Johnston — que chegou a ser dada como certa, mas foi vetada pelo presidente Bap — aprofundou o desgaste do diretor de futebol, que já enfrenta questionamentos dentro e fora do clube desde o início do ano.
Contratado em dezembro com a promessa de profissionalizar a gestão do futebol rubro-negro, Boto vinha conduzindo o departamento com autonomia. No entanto, a rejeição da torcida à chegada de Johnston, somada à pressão interna, levou Bap a intervir pela primeira vez, desautorizando o acerto e evidenciando a perda de prestígio do dirigente.
Base, entrevistas e decisões contestadas
O caso não foi isolado. A negociação de Victor Hugo com o Famalicão, sem compensação financeira, também gerou forte incômodo. A transação está travada, e conselheiros cobraram explicações sobre a liberação gratuita de um jogador de 21 anos com vínculo até 2026.
Além disso, o atrito com os representantes de Lorran, que culminou no retorno do meia à base após impasse sobre um empréstimo ao Fortaleza, gerou críticas públicas do Madureira, clube formador do atleta. A condução da situação foi mal recebida internamente.
O estilo centralizador de Boto e suas decisões impopulares contribuíram para o afastamento de figuras-chave do elenco e funcionários. Declarações públicas sobre “falta de comprometimento” no clube irritaram profissionais do CT. Entrevistas dadas por ele durante o Mundial de Clubes, com especulações sobre treinadores e jogadores, foram vistas como tentativas de autopromoção.
Desgaste com lideranças do elenco
A relação com o elenco também sofre abalos. Com Pedro, o mal-estar começou após a revelação de que um membro do departamento de futebol estava disposto a negociá-lo por 15 milhões de euros. A forma como a situação foi tratada desagradou o atacante e causou desconforto ao técnico Filipe Luís. O estafe do jogador ainda aguarda o retorno do clube sobre uma proposta de renovação iniciada no começo do ano.
Com Gerson, o atrito veio após o Flamengo recusar uma proposta de até 29 milhões de euros do Zenit. A direção afirmou que liberaria o jogador apenas se ele pedisse diretamente ao técnico, o que não aconteceu. Mesmo assim, Gerson e seu pai aceitaram renovar, com aumento salarial e redução da multa. Quando a informação sobre o acerto com o Zenit vazou, o clube emitiu uma nota que foi entendida como uma indireta ao meia, o que repercutiu negativamente no grupo.
Já Arrascaeta sinalizou o desejo de seguir no clube e encerrar a carreira no Flamengo. No entanto, em maio, o clube interrompeu as tratativas de renovação, o que irritou o jogador e seu estafe. Desde então, o assunto esfriou, e a relação ficou mais distante.
Mesmo diante dos bons resultados em campo, o ambiente nos bastidores é de tensão. O respaldo de Bap ao diretor de futebol ainda se mantém, mas a crise interna expôs a fragilidade da gestão de Boto e o enfraquecimento de seu papel no comando do futebol rubro-negro.
Fonte: Globoesporte