Julia Garcia Domingues é uma das filhas do funkeiro MC. Catra — Foto: Charles Mathura/TV Globo
A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, na manhã desta quarta-feira (9), a Operação Falsa Portabilidade, que desarticulou uma quadrilha envolvida em fraudes contra aposentados e pensionistas. Ao todo, sete pessoas foram presas em ações coordenadas em quatro estados brasileiros: Rio de Janeiro, Acre, Minas Gerais e Santa Catarina.
Entre os presos está Julia Garcia Domingues, filha do cantor Mr. Catra, morto em 2018. Segundo os investigadores, o grupo movimentou cerca de R$ 5 milhões nos últimos anos. A ação também resultou no bloqueio de R$ 1 milhão em contas bancárias utilizadas para ocultar o dinheiro das fraudes.
Como funcionava o golpe do empréstimo consignado
De acordo com a Delegacia de Defraudações, o grupo agia com alta sofisticação. Os golpistas abordavam vítimas idosas, principalmente aposentados e pensionistas, com falsas promessas de quitação de contratos antigos de empréstimos consignados. Para convencer os alvos, os criminosos se passavam por consultores financeiros e ofereciam condições atrativas, como juros reduzidos e maior prazo para pagamento.
No entanto, ao invés de quitar o contrato anterior, o grupo induzia a vítima a contratar um novo empréstimo, mantendo a dívida anterior ativa. Com isso, as vítimas acumulavam mais débitos, enquanto o valor do novo contrato era desviado integralmente para contas dos investigados.
Presos e estrutura do grupo
A polícia afirma que o esquema era bem estruturado e com divisão clara de funções. Alguns dos suspeitos abordavam as vítimas, outros cuidavam da intermediação junto aos bancos e ainda havia quem cedesse contas bancárias para lavagem dos valores.
Além de Julia Garcia, foram presos:
- Stefani Campos de Souza Silva
- Ingrid Santana Fernandes
- Thamires da Silva Cruz
- Peterson Maffort Grillo
- Júlio Cesar da Silva
- Augusto Germano da Silva Kuntze (apontado como líder do grupo)
Segundo a delegada Josy Lima Leal Ribeiro, “os criminosos lucravam com os valores dos novos contratos, deixando os clientes em situação ainda mais grave de endividamento.”
O delegado Gustavo Henrique da Silva Neves, da Polícia Civil do Acre, revelou que uma única vítima teve prejuízo de R$ 400 mil. A organização criminosa também usava documentos falsos para obter os empréstimos.
Operação foi deflagrada em quatro estados
A operação contou com apoio de delegacias de defraudações nos estados envolvidos. Em Santa Catarina, por exemplo, os agentes capturaram o líder do grupo, Augusto Germano, considerado um dos principais articuladores das fraudes. No Rio, seis pessoas foram presas. A Polícia ainda trabalha para identificar novas vítimas e descobrir outros possíveis integrantes.
Fontes:
g1.globo.com