Restos da linha chilena ficaram no asfalto da Via Light — Foto: Maiane Brito/TV Globo
O pintor Jorge Luiz da Silva Marciano, de 38 anos, perdeu a vida de forma brutal no último domingo (3), na Via Light, entre Mesquita e Nilópolis, na Baixada Fluminense. Ele pilotava uma moto, com sua esposa na garupa, quando uma linha chilena cortou seu pescoço e causou a morte imediata.
Momentos antes, Jorge comemorava o título do filho, João Guilherme, de 8 anos, campeão de um torneio de futsal pelo Madureira. A festa em família acabou em dor e desespero.
O menino estava em outro carro e presenciou a cena. Um dos amigos de Jorge, que seguia de moto logo atrás, também foi atingido, mas sofreu apenas ferimentos leves no pescoço e foi atendido na UPA do Cabuís.
Linha chilena: crime ignorado
Apesar de proibida por lei no estado do Rio de Janeiro, a linha chilena segue à venda e em circulação. Produzida com quartzo moído e óxido de alumínio, ela é ainda mais cortante que o cerol tradicional.
Somente nos primeiros cinco meses de 2025, o Disque Denúncia recebeu 366 relatos sobre o uso, produção ou venda de cerol e linha chilena. Mais de 70% ocorreram na capital. No ano anterior, foram registradas 549 denúncias, com 380 na cidade do Rio.
Ainda assim, o produto continua facilmente acessível, e tragédias se repetem ano após ano.
Indignação da família e clamor por justiça
Jorge deixa três filhos, incluindo um sobrinho que ele criava como filho. A sogra dele, a cuidadora Miriam da Conceição, lamentou o descaso das autoridades:
“Ele era um guerreiro, muito trabalhador. Um genro maravilhoso. Essas linhas malditas continuam sendo vendidas. Quantas famílias ainda vão chorar?”
O corpo foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) de Nova Iguaçu. A 53ª Delegacia de Polícia de Mesquita investiga o caso.
Fiscalização falha e sensação de impunidade
Apesar da legislação em vigor, o comércio ilegal da linha chilena resiste. Fiscalizações são esporádicas, e o número de apreensões é baixo frente à quantidade de denúncias.
Além disso, muitos casos só recebem atenção quando tragédias como a de Jorge ocorrem. Enquanto isso, pais, filhos e trabalhadores comuns continuam expostos ao risco invisível desses fios cortantes.
Fonte: g1.globo.com