Um assalto dentro da Península, condomínio de alto padrão localizado na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, assustou moradores e acendeu o alerta para a falta de segurança pública na região. O caso aconteceu na noite de quarta-feira (6), quando uma mulher que caminhava com o marido na Rua das Jacarandás, próximo ao condomínio Saint Barth, foi abordada por dois criminosos em uma moto. Ao tentar evitar o assalto jogando o celular no chão, foi empurrada por um dos bandidos, que fugiu com o aparelho.

As imagens da vítima correndo em desespero viralizaram nas redes sociais e provocaram revolta na comunidade local, que já vinha denunciando o aumento da violência.
Moradores organizam protesto por mais segurança
Diante do episódio, moradores da Península marcaram um protesto pacífico para este sábado (10), às 11h, com concentração no Green Park. A mobilização é organizada por grupos como o Mães da Península, que denuncia o aumento dos assaltos e cobra segurança compatível com os altos valores de condomínio pagos na região.
“Pagamos caro e não temos segurança nem para andar à noite”, dizia um comunicado compartilhado nas redes.
Acesso livre e sensação de vulnerabilidade
Apesar da aparência de condomínio fechado, a Península é um loteamento com acesso livre, o que permite a entrada de veículos e pedestres sem controle efetivo. A área tem portarias com cancelas e segurança privada, mas não há restrição real de acesso por ser considerada via pública.
Essa característica tem contribuído para a sensação de vulnerabilidade entre os cerca de 28 mil moradores, distribuídos em 33 condomínios e 65 torres residenciais, em uma área de 780 mil m². A região, que possui imóveis com valores entre R$ 1 milhão e R$ 9 milhões, foi criada para ser um bairro planejado de alto padrão, com lagoas, trilhas e parques.
Batalhão da PM é promessa antiga
A Associação Amigos da Península (ASSAPE) informou que deu apoio à vítima e reforçou que vem pleiteando, junto ao governo do estado, a implantação de um batalhão da PM nas imediações, em parceria com os shoppings e centros comerciais locais. Hoje, a área é coberta apenas pelo 31º BPM, localizado na Avenida Salvador Allende, que também atende o Recreio.
A proposta é transformar a segurança da Península em um modelo de cooperação público-privada, com reforço na presença policial e monitoramento por câmeras integradas com o sistema da PM.
Números da violência na Barra preocupam
De acordo com dados de segurança pública, a Barra da Tijuca registrou 424 roubos de celulares em 2024, um crescimento de 8,2% em relação ao ano anterior. Os assaltos a pedestres também aumentaram, passando de 615 para 718 casos. Já os roubos em transporte público saltaram de 98 para 144 ocorrências, um aumento de quase 50%.
Apesar de queda nos roubos de veículos, os indicadores revelam que a criminalidade está cada vez mais presente nas áreas nobres do Rio de Janeiro, antes consideradas redutos de tranquilidade.
Reação de autoridades e sociedade
O caso está sendo investigado pela 16ª DP (Barra da Tijuca), que busca imagens de câmeras de segurança e testemunhas. A Câmara Comunitária da Barra da Tijuca (CCBT) também se posicionou e anunciou a realização de uma conferência sobre segurança pública para os dias 28 e 29 de novembro, no Village Mall.
O evento reunirá representantes do governo estadual, municipal, síndicos, associações e sociedade civil para discutir políticas de segurança duradouras e integradas.
“Não adianta atuar pontualmente. A violência se desloca. Precisamos de uma política de segurança para a cidade inteira, começando pela Barra”, destacou Delair Dumbrosck, presidente da CCBT.
Imóveis de luxo, insegurança crescente
A valorização imobiliária da Península continua em alta, com o m² chegando a R$ 14.781, segundo o Secovi-Rio, superando bairros como Jardim Oceânico e Recreio. Mesmo assim, os casos de violência têm impactado a imagem do bairro, que atrai artistas, empresários e políticos como o governador Cláudio Castro, o ex-prefeito Marcelo Crivella e a cantora Anitta.
Com imóveis que chegam a R$ 25 mil de aluguel e até R$ 9 milhões para venda, moradores exigem que a segurança acompanhe o padrão de vida prometido pelas incorporadoras e pelo poder público.
O assalto na Península da Barra da Tijuca expôs, mais uma vez, a fragilidade da segurança pública mesmo em áreas de alto padrão. A mobilização da comunidade mostra que há um clamor por soluções efetivas, que vão além da repressão pontual. O protesto deste sábado é, segundo os moradores, um grito coletivo por proteção, dignidade e paz em um dos bairros mais valorizados da cidade.
Fontes:
diariodorio.com
oglobo.globo.com