O reencontro entre Cano e Luis Zubeldía no Fluminense foi decisivo na vitória do Tricolor por 2 a 0 sobre o Botafogo, neste domingo, no Maracanã. Com apenas dois dias de treinamentos, o técnico argentino fez uma única mudança: colocou Cano como titular. O atacante, autor do primeiro gol, agradeceu a confiança e relembrou a trajetória entre os dois.

Germán Cano comemora gol do Fluminense diante do Botafogo (Foto: Marcelo Gonçalves / Fluminense)
— É um presente de Deus voltar a trabalhar com ele. Praticamente conhece toda minha história, toda minha carreira. Ele me ensinou muitas coisas. Com 16, 17 anos, foi ele quem me subiu para a primeira divisão, junto com Ramón Cabrero, que não está mais conosco. Recordo de muitas coisas positivas e negativas que aprendi com ele, que seguiram comigo. São as raízes de onde venho. Graças a ele também que outros treinadores puderam me desenvolver da melhor maneira, tanto dentro quanto fora de campo — declarou Cano.
Os dois trabalharam juntos no Lanús entre 2007 e 2010. À época, Zubeldía, então com 26 anos, foi um dos primeiros a dar oportunidade ao centroavante da base no time profissional. Cano integrou a equipe que conquistou o Campeonato Argentino de forma inédita em 2007, mas estreou oficialmente pelo Lanús apenas no ano seguinte. Antes do reencontro no Fluminense, Cano e Zubeldía quase se cruzaram novamente na Colômbia, no Independiente de Medellín, onde o atacante é ídolo histórico.
No Fluminense, o reencontro acontece já recolocando o camisa 14 entre os titulares. Com Renato Gaúcho, a preferência era por Everaldo, tendo o argentino como opção no segundo tempo. Esse cenário se inverteu diante do Botafogo.
Após a vitória no clássico, Zubeldía explicou a escolha por Cano e lembrou que, por ter apenas dois dias de treinamentos, acredita ser cedo para falar em mudanças mais pesadas na base do time. O artilheiro, no entanto, foi a exceção.
— Primeiro, o Germán é um goleador muito importante na história do Fluminense. E ele conquistou isso. Ninguém lhe deu nada. Segundo, ele é bom para associar-se e para gerar esses movimentos que acabei de mencionar, com dois extremos que podem ter mais saída que ataque posicional, o qual entra dentro da lógica da organização. Ele tem experiência, pode ajudar em momentos complicados. Então, eu o conheço, ele me conhece e o Fluminense o conhece. Então, me parecia lógico, super lógico que jogasse, e ele fez muito bem. Sobretudo, para um nove é muito importante converter. Conheço os “noves”, como pensam os centroavantes e quando eles não marcam, eu sofro. Eu diria que sou o primeiro que sofre junto com eles. Então, fazendo o gol já nos dá muito e depois se colabora no tático que é importante, colabora em situações pontuais — afirmou Zubeldía.
O Fluminense encerrou uma sequência de nove jogos seguidos sem vencer o rival, sendo oito derrotas consecutivas. Esta era a maior série de triunfos no “Clássico Vovô”. A última vitória tricolor havia sido em junho de 2022. Desde então, foram oito vitórias alvinegras e um empate.
O próximo jogo do Fluminense no Campeonato Brasileiro será na quarta-feira, às 19h (de Brasília), contra o Sport, fora de casa.