Durante uma megaoperação realizada nesta sexta-feira (10), as polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro apreenderam urnas utilizadas pelo Comando Vermelho para arrecadar dinheiro de moradores da Muzema, na Zona Sudoeste. A ação faz parte da Operação Contenção, que envolveu 15 comunidades e buscou desarticular a estrutura financeira e territorial da facção criminosa.
Segundo o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, as urnas eram usadas para que traficantes não fossem identificados durante a cobrança de valores de moradores. “As pessoas extorquidas pelo tráfico tinham que colocar o dinheiro que a facção cobrava, evitando que os criminosos se expusessem. Identificamos essa estratégia durante a investigação”, explicou.
Sete suspeitos foram mortos em confrontos durante a operação. Seis deles faleceram em ação do 41º BPM (Irajá), no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, enquanto um foi morto no Complexo da Mangueirinha, em Duque de Caxias.
Além disso, 19 pessoas foram presas, e as equipes apreenderam dez fuzis, oito pistolas, duas granadas e removeram 11 toneladas de barricadas usadas pela facção.
A ação desta sexta-feira deu continuidade à ofensiva iniciada na quinta-feira (9), quando Ygor Freitas de Andrade, conhecido como “Matuê”, chefe do tráfico na Gardênia Azul e Chacrinha, foi morto. Contra ele havia três mandados de prisão em aberto, e ele é suspeito de envolvimento na morte do policial civil José Antônio Lourenço, em maio, além de confrontos anteriores que deixaram seis mortos em agosto.
As comunidades atingidas pela operação, historicamente dominadas por milicianos, vêm sendo ocupadas pelo Comando Vermelho, que utiliza estratégias como as urnas para expandir sua atuação e reduzir riscos de identificação por parte das forças de segurança.
O subsecretário de Planejamento Operacional, Victor dos Santos, destacou que a operação teve caráter cirúrgico e visou desarticular a estrutura financeira da facção, bloqueando recursos e prendendo integrantes-chave do CV.