Foto: Divulgação/PCERJ
Nesta terça-feira (21), a Polícia Civil deflagrou uma operação no Morro do Jordão, comunidade entre os bairros Tanque e Taquara, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. A ação, conduzida pela Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) e pela Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE), resultou na descoberta de um cemitério clandestino atribuído à facção Comando Vermelho. No local, foi encontrado um poço com cerca de 30 metros de profundidade, usado como vala para ocultação de corpos, conforme investigação.

Foto: Divulgação/PCERJ
Detalhes da operação
Segundo as apurações, a DDPA recebeu informações de inteligência sobre um terreno de mata, na parte alta do Morro do Jordão, sendo usado para soterrar vítimas de disputas entre facções. Durante a incursão, equipes da Polícia Civil, com apoio do Corpo de Bombeiros, conseguiram localizar ossadas espalhadas ao redor do poço profundo. Cordas foram utilizadas para içamento de restos humanos que agora passarão por perícia técnica.
O local está registrado como ponto de abandono de corpos de rivais do Comando Vermelho. Investigadores acreditam que ao menos cinco vítimas foram descartadas no poço. A ação segue em andamento, com bloqueio da área para preservação de vestígios e coleta de dados que podem contribuir ao inquérito sobre desaparecimentos forçados na comunidade.
Contexto e implicações
A descoberta desse tipo de cemitério clandestino representa um mecanismo de violência extremo que dificulta investigações e impede o acesso de famílias à verdade sobre entes desaparecidos. O caso reforça o alerta para a necessidade de mapeamento das áreas de atuação de grupos armados e do vínculo entre tráfico, território e desaparecimento forçado.
Em paralelo, o Ministério Público Federal (MPF) já havia requisitado ao governo federal a formação de grupo de trabalho para mapear cemitérios clandestinos na Região Metropolitana do Rio em até 30 dias. A descoberta no Morro do Jordão intensifica a urgência da iniciativa.
O que se espera agora
As autoridades deverão seguir com as seguintes etapas:
- ampliação da varredura na mata para identificar outros vestígios no terreno;
- perícia técnica para identificação das ossadas, que podem levar à identificação de vítimas e responsabilização;
- produção de relatório sobre o funcionamento da vala clandestina e sua conexão com o domínio da facção na região;
- cooperação com organismos de direitos humanos para garantir assistência às famílias de desaparecidos.