O Instituto Médico Legal (IML) do Rio de Janeiro confirmou, nesta sexta-feira (31), a identificação de 100 das 121 pessoas mortas durante a megaoperação Contenção, realizada nos complexos da Penha e do Alemão. Segundo a Secretaria de Polícia Civil, 60 corpos já foram liberados para enterro ou cremação, e os laudos completos serão divulgados entre 10 e 15 dias úteis.
A operação, considerada a mais letal da história do estado, foi deflagrada com o objetivo de desarticular o Comando Vermelho (CV), organização que controla parte do tráfico de drogas na Zona Norte. O balanço oficial registra 117 suspeitos mortos e quatro policiais entre as vítimas.
Identificação e sigilo dos nomes
De acordo com o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, entre os mortos 90 já foram oficialmente identificados, sendo que 78 possuíam antecedentes criminais e 42 estavam com mandados de prisão em aberto. Entre os líderes do tráfico mortos estão nomes ligados a facções de oito estados brasileiros, como Bahia, Pará, Amazonas, Goiás e Ceará.
Entre os chefes de facção confirmados estão:
- Russo, líder do tráfico em Vitória (BA);
- DG e FB, ambos atuantes na Bahia;
- PP, chefe do tráfico no Pará;
- Chico Rato e Gringo, do Amazonas;
- Mazola, de Feira de Santana (BA);
- Fernando Henrique dos Santos e Rodinha, de Goiás.
No total, 39 mortos eram de outros estados, sendo 13 do Pará, 7 do Amazonas, 6 da Bahia, 4 do Ceará, 4 de Goiás, 3 do Espírito Santo, 1 do Mato Grosso e 1 da Paraíba.
MP acompanha perícia e liberação dos corpos
O Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ) acompanhou a liberação dos corpos no IML Afrânio Peixoto, no Centro do Rio. Promotores e peritos independentes realizaram uma fiscalização técnica e humanitária, seguindo diretrizes da Corte Interamericana de Direitos Humanos e do Supremo Tribunal Federal, que exigem transparência e respeito às famílias das vítimas.
Durante o mutirão, familiares lotaram as dependências do IML em busca de informações e reconhecimento. O órgão informou que parte dos corpos foi encaminhada a outros estados, conforme a origem dos mortos.
O principal alvo e o balanço da operação
O principal alvo da megaoperação, o traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, conseguiu fugir do cerco policial. Considerado o maior chefe do Comando Vermelho em liberdade, Doca é apontado como responsável por comandar operações interestaduais de tráfico. O Disque Denúncia oferece R$ 100 mil de recompensa por informações que levem à sua captura.
Ao todo, a operação Contenção mobilizou 2.500 agentes das polícias Civil e Militar, com o objetivo de cumprir 100 mandados de prisão e 150 de busca e apreensão. Além das mortes, houve 113 presos, sendo 33 de outros estados, e a apreensão de 91 fuzis, 26 pistolas, um revólver e uma tonelada de drogas.
A ação resultou em intensos confrontos na Serra da Misericórdia, área onde dezenas de corpos foram encontrados por moradores e levados até a Praça São Lucas, no Complexo da Penha, para facilitar o reconhecimento.
Reações e questionamentos
Deputados da oposição pedem a divulgação integral da lista com os nomes dos mortos, mas a Secretaria de Polícia Civil mantém o sigilo temporário para não comprometer as investigações. Parlamentares e entidades de direitos humanos questionam a proporção letal da operação e pedem apuração independente sobre as mortes.
O governador Cláudio Castro defende que a ação foi “técnica, legítima e necessária”, afirmando que “a sociedade não pode ser refém de facções criminosas”. Já o secretário de Segurança, Victor Santos, afirmou que “o dano colateral foi mínimo” diante do número de criminosos mortos.