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O Rio de Janeiro alcançou a liderança nacional em inscrições de idosos no Enem 2025, com 3.087 candidatos acima dos 60 anos, segundo dados do Ministério da Educação. O número representa quase o dobro do registrado em 2023, quando o estado teve 1.588 inscritos.
As provas serão aplicadas nos dois próximos domingos e marcam um novo perfil entre os participantes: idosos em busca de aprendizado, reinserção no mercado e realização pessoal.
Histórias de superação e novos propósitos
Entre os candidatos está Wanda Santos, de 68 anos, moradora de Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio. Depois de dedicar décadas à família e ao trabalho, ela decidiu realizar um antigo sonho: cursar Psicologia.
“Quero me tornar psicóloga para ajudar pessoas. O mundo está estressante, e uma boa conversa cura muita coisa”, contou Wanda.
Ela estuda em uma sala improvisada nos fundos da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, onde funciona um pré-vestibular social gratuito. O espaço reúne jovens e adultos em situação de vulnerabilidade, com aulas ministradas por professores voluntários.
Educação como recomeço
O exemplo de Wanda também inspira Domingos Moraes, de 64 anos, sapateiro que sonha em cursar Geografia.
“A idade chegou, mas a vontade de estudar nunca passou. Os professores me animaram, e agora me sinto preparado para o futuro”, afirmou.
Domingos intensificou o ritmo de estudos nos dias que antecedem a prova.
“Vou me concentrar em casa, revisar o conteúdo e fazer o melhor possível”, disse.
Ambos destacam que a experiência de vida ajuda a lidar com a ansiedade pré-Enem, tornando o processo mais leve.
“Nós já vivemos muita coisa. Aprendemos a fingir que está tudo bem até realmente acreditar nisso”, brincou Wanda.
Pré-vestibulares sociais impulsionam novas trajetórias
Projetos sociais têm sido fundamentais para esse crescimento. As iniciativas comunitárias oferecem aulas gratuitas, reforço escolar e apoio emocional. Além disso, aproximam gerações, unindo adolescentes, adultos e idosos em torno do mesmo objetivo: acesso à universidade.
Educadores afirmam que o interesse da terceira idade revela uma mudança cultural. O estudo deixou de ser apenas uma exigência profissional e passou a representar autonomia, autoestima e pertencimento.