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Concessionária Lamsa registrou 438 ocorrências até outubro, mais que o dobro de 2024. Crimes se concentram na saída 4, em Pilares, na Zona Norte.

Foto: Divulgação

O número de crimes registrados na Linha Amarela mais que dobrou em 2025, segundo levantamento da Lamsa, concessionária responsável pela via expressa.
Até outubro, foram 438 ocorrências policiais, contra 199 em todo o ano de 2024. Em 2023, o total era de apenas 79 casos.

Os dados englobam assaltos, furtos, arrastões, tiroteios, blitzes e abordagens policiais. A saída 4, localizada em Pilares, na Zona Norte, é o ponto mais crítico, concentrando a maior parte dos ataques.

Vítimas relatam medo constante

Entre as vítimas está o servidor público Rogério Faria de Souza, assaltado em julho. Ele contou que os criminosos aparentavam ser menores de idade.

“Fui assaltado na saída 4. Dois indivíduos, parecendo crianças de no máximo 16 anos, me cortaram com uma faca e levaram meu carro e celular.”

Outros flagrantes confirmam a insegurança. Um vídeo gravado em setembro mostra assaltantes armados agindo na mesma região.

Na noite de 26 de outubro, a Linha Amarela se transformou em palco de um confronto intenso entre policiais e criminosos. Imagens de moradores mostram a pista bloqueada e a troca de tiros. Horas antes, um carro havia sido roubado no mesmo local.

Cinco dias depois, em 31 de outubro, a violência teve um desfecho trágico: Bárbara Elisa Yabeta Borges, de 28 anos, passageira de um carro por aplicativo, foi baleada na cabeça durante outro tiroteio na via.

Medo muda a rotina de quem utiliza a via

Moradores e motoristas que dependem da Linha Amarela relatam medo constante e mudança de hábitos.

Um morador do Grande Méier, que presenciou um arrastão, descreve a sensação de pânico:

“Passei com minha família e vi um carro cheio de assaltantes de fuzil. Eles não têm medo da morte, tudo por um carro e alguns reais.”

O fotógrafo Eduardo Chianca confirma o clima de insegurança:

“É um cenário de guerra. Como trabalho para o outro lado da cidade, evito o trajeto sempre que posso.”

O engenheiro Tarsicio Vieira também alterou sua rota noturna:

“Depois de certa hora, evito passar na saída 4. Prefiro ir pela 5, porque ali o risco é quase certo.”

Reforço policial e novas medidas

A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro afirma que as vias expressas contam com patrulhamento 24 horas do Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE).
Além disso, há apoio de equipes das Rondas Especiais, do Controle de Multidões e do Batalhão Tático de Motociclistas.

A corporação informou ainda que planeja expandir o sistema de videomonitoramento e reconhecimento facial para reforçar a segurança na Linha Amarela e em outras vias expressas da cidade.
A promessa é aumentar a integração entre as forças de segurança e reduzir o tempo de resposta às ocorrências.

Histórico de insegurança na via

Desde 2023, a Linha Amarela tem registrado crescentes índices de criminalidade, especialmente em horários noturnos. A via é uma das principais ligações entre a Zona Oeste e a Zona Norte, e passa por regiões de conflito entre facções criminosas e polícias.

Especialistas em segurança pública alertam que a combinação de pouca iluminação, saídas estreitas e proximidade com comunidades dominadas por milícias ou traficantes facilita as ações criminosas.

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