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Levantamento de inteligência da PM indica que o CV atua em 70 municípios e controla 62,8% dos territórios mapeados; expansão combina tráfico e exploração econômica de serviços como gás, internet e transporte.

Um relatório reservado do setor de inteligência da Polícia Militar do Rio de Janeiro mostra que apenas 15 dos 92 municípios fluminenses não têm domínio consolidado de facções. O Comando Vermelho (CV) aparece como força predominante: entre 1.648 áreas mapeadas, 1.036 (62,8%) estão sob controle do CV, 340 (20,6%) do Terceiro Comando Puro (TCP), 229 (13,9%) de milícias e 43 (2,6%) da ADA. Segundo a PM, as áreas entram no mapa apenas quando o domínio se consolida, já que a disputa territorial é dinâmica.

A ofensiva recente do CV não se limita ao tráfico de drogas. Autoridades e pesquisadores apontam um modelo de exploração econômica do território, com monopólios de gás, internet, transporte alternativo e extorsões, estratégia que replica práticas de milícias e amplia a receita do grupo.

As 15 cidades sem domínio consolidado

São José do Vale do Rio Preto, Casimiro de Abreu, Silva Jardim, Mendes, Pinheiral, Rio das Flores, Sapucaia, Carapebus, Cardoso Moreira, Quissamã, Cambuci, Italva, Carmo, Sumidouro e São Sebastião do Alto.

Mesmo nessas cidades, a inteligência da PM monitora tentativas de infiltração vindas de municípios vizinhos onde há controle estabelecido — caso de Paulo de Frontin, que sente a pressão por estar entre áreas já dominadas.

Como o CV ampliou seu alcance

  • Dispersão pós-UPPs: A saída de lideranças da capital para o interior após a política das UPPs espalhou o tráfico pelo estado, avaliam autoridades.
  • Virada de negócio: Segundo a Polícia Civil, o tráfico hoje é 10%–15% do faturamento do CV. O foco migrou para domínio territorial e renda de serviços (gás, “gatonet”/internet, transporte, “taxas” locais).
  • Expansão regional: Em 2024 e 2025, houve mudanças de controle em áreas como Macacos (Vila Isabel), Campinho e Fubá (Cascadura), Divino (Praça Seca), Gogó da Ema (Belford Roxo), Maria Joaquina (Búzios) e Fazenda da Barra 2 (Resende). Na Zona Sudoeste, Gardênia Azul, Cesar Maia, Coroado, Fontela e Jardim Bangu passaram de milícia para CV.
  • Expansão nacional: O CV já tem presença em 25 dos 27 estados, segundo a avaliação de inteligência citada.

A “governança” na prática: regras, punições e serviços

Relatos de moradores e estudos sobre “governo armado” em favelas mostram que o CV impõe normas de convivência (do vestuário e gírias a bailes e conflitos domésticos), proíbe roubos e pune com agressões, expulsões e, em casos extremos, execuções.
Nos territórios, carros de aplicativo muitas vezes não circulam; vans e mototáxis “autorizados” dominam; internet e gás são monopolizados e cobrados; quem resiste sofre coação. A ausência do Estado na oferta de serviços básicos e segurança favorece a autoridade paralela — e inibe denúncias por medo de represálias.

E a megaoperação? Impacto limitado no cotidiano

A Operação Contenção (28/10), nos Complexos do Alemão e da Penha, mobilizou 2,5 mil agentes e terminou com 121 mortos (117 suspeitos e 4 policiais). Apesar do choque, moradores relatam retomada rápida da rotina armada, e análises de inteligência classificaram o efeito estrutural como “ínfimo” sobre o CV.
Enquanto isso, o IML avança na identificação e liberação de corpos, e investigações procuram apurar eventuais abusos e o cumprimento de protocolos de letalidade policial.

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