Foto: Reprodução/TV Globo
A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu nesta terça-feira (25) o vereador Ernane Aleixo (PL), de São João de Meriti, durante a Operação Muro de Favores, que investiga uma rede de apoio político ao Terceiro Comando Puro (TCP). Os agentes arrombaram o portão da residência do parlamentar, que foi detido sem resistência. Além dele, outras quatro pessoas foram presas na ação.
Segundo as investigações, o vereador teria oferecido apoio logístico, operacional e estrutural para a facção, em troca de vantagens eleitorais e financeiras. A suspeita ganhou força após a análise de mensagens e áudios que indicam que ele teria fornecido maquinário para erguer barricadas em Vilar dos Teles, dificultando operações policiais e a circulação de serviços públicos.
Investigação aponta uso de bens públicos para erguer barreiras criminosas
O delegado Vinícius Miranda, responsável pela investigação, afirmou que as provas revelam “uma clara troca de favores entre o parlamentar e criminosos”. Ele destacou que o uso de bens públicos para construir barricadas representa uma violação grave.
“Não só de favores, o que piora a situação. Houve o uso aparente de um bem público contra o povo, para erguer barricadas”, explicou o delegado.
Na casa do vereador, os agentes também apreenderam dinheiro em espécie, reforçando indícios de movimentação financeira irregular.
Mandados fazem parte da estratégia estadual Barricada Zero
A operação cumpriu 8 mandados de prisão e 36 de busca e apreensão, todos expedidos pela 2ª Vara Criminal de Meriti. A ação foi coordenada pela Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD) e integra a estratégia Barricada Zero, lançada pelo governo estadual para desmontar estruturas erguidas pelo crime.
As investigações revelam que o TCP mantinha uma rede de influência com políticos da Baixada Fluminense, visando controlar áreas como:
- Trio de Ouro (Meriti)
- Guacha (Belford Roxo)
- Santa Tereza (Belford Roxo)
Há ainda indícios de que o vereador negociava vagas de emprego em um hospital da região para fortalecer sua base eleitoral.
Núcleo criminoso agia sob comando de chefes do TCP
O grupo investigado era liderado por Marlon Henrique da Silva, conhecido como Pagodeiro, preso em 2023. Ele é apontado como braço direito de Geonário Fernandes Pereira Moreno, o Genaro, chefe do TCP na Baixada. Pagodeiro confessou ter assassinado três pessoas, incluindo uma mulher, durante confronto com rivais.
Além do vereador, a polícia prendeu também Luciana Adelia Theofilo, esposa de Pagodeiro.
Conforme a Polícia Civil, o núcleo desempenhava atividades como:
- tráfico de drogas;
- homicídios;
- extorsão de comerciantes;
- lavagem de dinheiro;
- construção de barricadas para impedir a presença do Estado.
A operação busca desarticular a estrutura hierárquica e financeira da facção, devolvendo a circulação e o controle territorial às autoridades.