A cidade do Rio de Janeiro registrou um aumento de 27,92% nos atendimentos de saúde relacionados ao calor extremo no último fim de semana, em comparação com a média de anos anteriores. Entre os dias 9 e 11 de janeiro, a rede municipal de urgência e emergência contabilizou 1.734 ocorrências, principalmente em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) das Zonas Oeste e Sudoeste.
UPAs concentram maior número de ocorrências
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, os principais sintomas registrados foram tontura, vertigem, fraqueza, mal-estar e desmaios, associados à exposição prolongada ao calor intenso.
As UPAs de Vila Kennedy, Sepetiba e Cidade de Deus lideraram o número de atendimentos. A UPA da Vila Kennedy, inclusive, está entre as unidades com maior crescimento proporcional em relação à média histórica. Também houve aumento expressivo de casos no Hospital do Andaraí e no CER Centro.
Cidade segue em nível 3 do Protocolo de Calor
O município permanece em Calor 3, o terceiro de cinco níveis do Protocolo de Calor definido pelo Centro de Operações e Resiliência do Rio (COR-Rio). Esse estágio é caracterizado por temperaturas entre 36°C e 40°C, com previsão de persistência ou elevação por pelo menos três dias consecutivos.
Na segunda-feira (12), o Rio atingiu 40,8°C, registrando o dia mais quente do verão até agora, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia. A medição foi feita na estação da Vila Militar, na Zona Oeste.
Rio concentra os maiores registros de calor do país
O calor intenso não se restringiu à capital. Dados do Inmet mostram que nove dos dez locais mais quentes do Brasil na segunda-feira estavam no estado do Rio de Janeiro. O maior registro ocorreu em Seropédica, na Baixada Fluminense, com 41°C.
Outros pontos da Região Metropolitana também apresentaram temperaturas extremas, como Marambaia (40°C), Galeão, Santa Cruz e Jacarepaguá, todos com máximas próximas ou acima de 38°C. Fora do estado, apenas a cidade de Picos (PI) apareceu entre os dez locais mais quentes do país.
Por que o calor está tão intenso
Meteorologistas explicam que o cenário é resultado da ausência de frentes frias, da falta de sistemas de chuva e da atuação de ventos vindos do interior do Brasil, que aquecem ainda mais ao descer a serra em direção ao litoral.
Outro fator agravante é a baixa umidade do ar, que chegou a cerca de 20% em alguns pontos monitorados, aumentando o risco de desidratação, insolação e outros problemas de saúde.
Previsão indica alívio gradual
A tendência para os próximos dias é de redução progressiva das temperaturas, embora ainda sem previsão de frio. A partir de quarta-feira, há expectativa de chuvas típicas de verão, que podem ser fortes em alguns momentos, com trovoadas e descargas elétricas, especialmente na capital, Região Metropolitana, Região Serrana e sul do estado.
Recomendações de saúde
Diante do calor extremo, a Secretaria Municipal de Saúde reforça orientações à população:
- aumentar a ingestão de água ou sucos naturais, mesmo sem sede;
- consumir alimentos leves, como frutas e saladas;
- utilizar roupas leves e frescas;
- evitar bebidas alcoólicas e com alto teor de açúcar;
- evitar exposição direta ao sol entre 10h e 16h;
- redobrar cuidados com crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.