Um funcionário de uma ONG que atua em parceria com o Governo do Estado do Rio de Janeiro foi torturado e assassinado por milicianos em Rio das Pedras, na Zona Oeste da capital. O crime, ocorrido nos últimos dias, ganhou contornos ainda mais violentos após o corpo da vítima ser exibido pelas ruas da comunidade, segundo a polícia, em uma ação que reforça o clima de terror imposto pela milícia local.
Quem era a vítima
A vítima, Jonathan Batista, trabalhava havia cerca de três anos em um projeto estadual voltado ao atendimento de idosos, o programa 60+ Reabilita, prestando serviços de reabilitação e apoio comunitário. Conhecido pelos moradores como uma pessoa prestativa e dedicada, Jonathan também atuava em ações ligadas à Associação de Moradores de Rio das Pedras.
No Instituto Médico-Legal, familiares relataram que o corpo apresentava sinais evidentes de tortura, incluindo marcas de amarração, o que indica extrema violência antes da morte.
Linhas de investigação
A Delegacia de Homicídios apura o caso e trabalha com mais de uma linha de investigação. Uma das hipóteses é que milicianos tenham assassinado Jonathan após suspeitarem, sem provas, de que ele fosse usuário de drogas ou tivesse algum tipo de contato com o tráfico local.
Outra linha aponta que o crime pode ter sido cometido como forma de intimidação ou retaliação relacionada à Associação de Moradores, onde a vítima também prestava serviços técnicos e comunitários, incluindo registros fotográficos de áreas que necessitavam de obras e melhorias.
Segundo a polícia, ao menos quatro homens participaram diretamente da execução. Entre os suspeitos está Kauã de Oliveira Teles, apontado como um dos chefes da milícia local após a prisão de seu irmão, Gerlan Anacleto de Oliveira, em 2023. A região também teria influência de Taillon Barbosa, atualmente preso.
Exibição do corpo e terror na comunidade
De acordo com a investigação, após o assassinato, o corpo de Jonathan foi exibido pelas ruas de Rio das Pedras, prática utilizada por grupos milicianos para espalhar medo e reforçar o controle territorial. O episódio chocou moradores e intensificou o sentimento de insegurança na comunidade.
Milícia amplia controle após cemitério clandestino
O crime ocorre em meio a um agravamento do cenário de violência em Rio das Pedras. Na semana anterior, uma operação policial localizou um cemitério clandestino na região, com indícios de ao menos 14 vítimas enterradas em covas rasas, sem identificação.
Desde então, moradores relatam aumento da vigilância armada, rondas frequentes e abordagens ilegais, incluindo a exigência de senhas de celulares para fiscalização de mensagens e chamadas.
Ação do Estado
O Governo do Estado informou que prepara uma operação de reocupação da área nos próximos meses. A medida atende a determinações do Supremo Tribunal Federal no âmbito da ADPF 635, que exige planos estruturados para retomada de territórios dominados pelo crime organizado.
Enquanto isso, a Delegacia de Homicídios segue em diligências na região para identificar e responsabilizar todos os envolvidos no assassinato de Jonathan Batista.