Foto: Divulgação Corpo de Bombeiros
Bombeiros civis que atuavam no Shopping Tijuca, na Zona Norte do Rio, afirmaram à Polícia Civil que a loja onde começou o incêndio que matou dois profissionais apresentava problemas recorrentes de segurança que nunca eram corrigidos. Os depoimentos reforçam falhas em equipamentos, excesso de material combustível e ausência de medidas efetivas, apesar de alertas feitos dias antes da tragédia.
Depoimentos apontam irregularidades persistentes
Ouvidos nesta quinta-feira, três bombeiros civis relataram que a loja Bell’Art acumulava “não conformidades” repetidas, identificadas em vistorias mensais. Segundo um dos brigadistas, os estabelecimentos tinham prazo de 15 dias para corrigir falhas, mas os problemas da loja retornavam sem solução, mesmo após checagens da chefia de segurança.
Os depoimentos indicam que detectores de fumaça e luzes de emergência não funcionaram no dia do incêndio. Também foi relatado que mercadorias estocadas até o teto bloqueavam corredores e cobriam sprinklers, comprometendo o sistema de combate a incêndio.
Relatório alertou dias antes
Um relatório de vistoria realizado seis dias antes do incêndio já apontava materiais combustíveis em áreas técnicas, detectores inoperantes e estoque acima da altura permitida dos bicos do sistema de sprinklers. Apesar do alerta documentado, os brigadistas afirmam que nada foi feito.
Outro ponto citado foi a falta de integração nos treinamentos: bombeiros civis disseram que treinavam suas equipes, mas não eram chamados para exercícios operacionais promovidos pela segurança do shopping.
Tragédia e investigação
O incêndio vitimou dois integrantes da brigada durante o combate às chamas. A investigação busca esclarecer responsabilidades, incluindo eventuais omissões na fiscalização, manutenção dos sistemas e cumprimento das normas de segurança.
CBMERJ anuncia vistorias em shoppings
Após o caso, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro anunciou que realizará vistorias técnicas em todos os shoppings do estado. O objetivo é verificar o cumprimento das medidas de segurança contra incêndio e pânico e a regularidade do Certificado de Aprovação, além da manutenção permanente dos sistemas, especialmente em locais com alterações frequentes de layout.