O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) realizou uma operação nesta quinta-feira (6) contra um bingo clandestino localizado na Rua Conde de Bonfim, uma das principais vias da Tijuca, na Zona Norte do Rio.
Durante a ação, foram apreendidas 99 máquinas caça-níqueis, que foram retiradas do estabelecimento e transportadas em um caminhão.
O local funcionava no térreo de um prédio residencial, próximo a diversos estabelecimentos comerciais, e não possuía identificação externa. A entrada era protegida por uma grade com uma pequena porta de acesso.
Investigação aponta ligação com grupo do jogo do bicho
Segundo o Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ), o bingo fazia parte de uma estrutura financeira ligada à chamada “nova cúpula do jogo do bicho”.
As investigações tiveram início a partir da análise de informações encontradas em celulares apreendidos durante a Operação Fissão, realizada em outubro de 2024.
De acordo com o Ministério Público, as apurações identificaram uma atuação integrada entre investigados apontados como lideranças da organização criminosa.
O órgão afirma que relatórios de inteligência revelaram a existência de uma rede de bingos clandestinos vinculada ao grupo.
Operação já havia encontrado máquinas em Vila Isabel
Essa não foi a primeira ação contra pontos ligados à exploração ilegal de jogos de azar.
Em uma operação anterior, realizada em um imóvel localizado na Rua Maxwell, em Vila Isabel, agentes apreenderam 48 máquinas caça-níqueis, além de materiais utilizados no funcionamento do esquema.
Segundo o MPRJ, as ações fazem parte de uma investigação maior para desarticular estruturas financeiras utilizadas por grupos envolvidos com atividades ilegais.
Como funcionava a investigação do MPRJ
A apuração começou com a análise de dados obtidos durante operações anteriores e avançou com levantamentos de inteligência.
Segundo o Ministério Público, o objetivo é identificar como funcionam as estruturas responsáveis pela exploração dos jogos ilegais, além de mapear possíveis conexões entre diferentes pontos de atuação.
A investigação também busca compreender a movimentação financeira gerada pelos estabelecimentos clandestinos.
Grupo investigado possui histórico de disputa por áreas no Rio
A investigação do MPRJ cita integrantes apontados como parte de uma nova estrutura de liderança da contravenção no Rio de Janeiro.
Entre os nomes mencionados estão Rogério Andrade, Adilsinho e Vinicius Drumond, que aparecem em diferentes investigações relacionadas ao jogo ilegal e outras atividades criminosas.
Rogério Andrade, sobrinho do contraventor Castor de Andrade, está preso desde 2024 em um presídio federal, acusado de envolvimento no assassinato de Fernando Iggnácio, ocorrido em 2020.
Adilsinho é investigado por sua atuação no jogo do bicho e em outros esquemas criminosos, enquanto Vinicius Drumond é apontado como herdeiro de uma área de influência ligada ao seu pai, Luizinho Drumond.
Combate ao jogo ilegal segue no Rio
O Ministério Público afirma que operações contra bingos clandestinos fazem parte de uma estratégia para interromper fontes de financiamento de grupos criminosos.
A apreensão das máquinas na Tijuca representa mais uma etapa das ações de combate à exploração ilegal de jogos de azar na cidade.
Fonte:
Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).