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Quando milhões de pessoas ocupam as ruas do Rio durante o Carnaval, elas repetem uma tradição que começou há mais de um século.
A festa que hoje reúne megablocos, fantasias e multidões nasceu de uma mistura de culturas, ritmos e costumes que tomaram conta principalmente das ruas do Centro da cidade.
E um dos lugares mais importantes dessa história é a região conhecida como Pequena África, especialmente a antiga Praça Onze.
A Praça Onze: berço da cultura popular carioca
Durante décadas, a Praça Onze foi um dos principais pontos de encontro da população negra e das comunidades populares do Rio.
O local ficou conhecido como um território de música, festas e manifestações culturais.
Ali surgiram encontros que ajudaram a consolidar o samba carioca e fortaleceram uma tradição que mais tarde conquistaria o mundo.
Dos entrudos aos blocos de rua
O Carnaval carioca nem sempre foi como conhecemos hoje.
No século XIX, a festa era marcada principalmente pelo entrudo, uma brincadeira de origem portuguesa em que as pessoas jogavam água, farinha e outros materiais umas nas outras.
Com o passar do tempo, a festa foi mudando.
Surgiram os ranchos carnavalescos, cordões e blocos, que começaram a ocupar as ruas com música, fantasias e organização própria.
O nascimento dos grandes símbolos do Carnaval
Foi nesse ambiente que surgiram nomes fundamentais para a cultura brasileira.
A região da Praça Onze ficou ligada a personagens como Tia Ciata, cuja casa era um importante ponto de encontro de músicos e artistas.
Esses encontros ajudaram a fortalecer o samba e deram origem a uma das maiores expressões culturais do país.
Uma tradição que continua viva
Mesmo com as mudanças da cidade, o espírito do Carnaval de rua permanece.
Os blocos que hoje levam milhões de pessoas às ruas carregam a mesma essência de décadas atrás: ocupar os espaços públicos, celebrar a música e transformar a cidade em palco.
O Carnaval do Rio nasceu nas ruas.
E é justamente nelas que ele continua vivendo.