Os discos de vinil voltaram a ocupar espaço na rotina de diferentes gerações no Rio de Janeiro. O formato, que durante décadas foi uma das principais formas de ouvir música, passou a atrair novamente colecionadores, artistas e pessoas que conheceram os LPs depois da chegada do streaming.
O movimento vai além da venda de discos. No estado, lojas especializadas, feiras, colecionadores, produtores de conteúdo e espaços culturais formam uma cadeia que aproxima o mercado de vinil da chamada economia criativa. A atividade é contemplada pela Lei nº 8.353/2019, que inclui a música entre os segmentos relacionados ao setor.
Uma experiência que vai além da música
Para quem trabalha com o comércio de discos, parte do interesse pelo vinil está justamente na experiência proporcionada pelo formato físico. Escolher um álbum, procurar uma edição específica, conversar com vendedores e colecionadores e observar capas e encartes fazem parte do processo.
O empresário Adonai Elias, proprietário da loja Discos do Elias, afirma que percebeu espaço para novos negócios antes mesmo de abrir o estabelecimento. Segundo ele, compradores mais jovens passaram a procurar lojas com curadoria, variedade e atendimento especializado.
A loja funciona dentro da Escola do Absurdo, um centro cultural que reúne diferentes atividades, como galeria de arte, clubes de música, cinema, leitura e oficinas. Dessa forma, o disco acaba integrado a uma experiência cultural mais ampla.
Novas gerações também entram no mercado
A retomada do vinil não está restrita a pessoas que viveram o auge do formato. Artistas de diferentes gerações têm lançado ou relançado trabalhos em LP, ajudando a aproximar o mercado de um público que cresceu ouvindo música principalmente pelas plataformas digitais.
Entre os exemplos citados estão Chico Chico e Luísa Sonza, além de artistas de outras gerações que passaram a ser descobertos por novos ouvintes, como Arthur Verocai e Evinha.
As lojas também passaram a funcionar como pontos de encontro para quem tem interesse por música. Feiras e eventos ajudam a ampliar esse circuito e criam oportunidades para que colecionadores conheçam novos espaços.
Redes sociais ajudam a descobrir onde comprar discos
O crescimento do interesse pelo vinil também chegou às redes sociais. O projeto Correndo Discos, criado pelo influenciador Renan Diniz, reúne informações sobre lojas e locais onde é possível encontrar LPs no Rio.
A iniciativa surgiu depois que Renan herdou cerca de 300 discos de um tio. A partir daí, comprou uma vitrola, começou a se interessar pelo formato e passou a produzir conteúdo sobre o universo dos discos.
O projeto busca apresentar não apenas os endereços das lojas, mas também os espaços onde o público pode ter uma experiência relacionada à música e ao colecionismo.
Garimpo também faz parte da cultura do vinil
Para muitos colecionadores, encontrar um disco raro ou uma edição em bom estado é parte importante da experiência. Feiras, lojas especializadas e até calçadas do Centro do Rio fazem parte desse circuito.
O jornalista Leonardo Barros, que começou a colecionar em 2017 e atualmente reúne cerca de 130 LPs, conta que já encontrou discos de artistas como Gilberto Gil e Belchior em feiras e pelas ruas do Centro. Algumas peças precisaram passar por restauração, mas foram adquiridas por valores abaixo dos praticados no mercado.
Além do colecionismo, os discos também podem fazer parte da rotina de quem trabalha ou estuda. Para Barros, ouvir vinil enquanto escreve e pesquisa ajuda a criar um ambiente diferente no dia a dia.
Um mercado ligado à economia criativa
A expansão da cena do vinil envolve uma rede que ultrapassa a fabricação e comercialização dos discos. Artistas, lojas, designers, produtores culturais, colecionadores, influenciadores e organizadores de feiras participam desse ecossistema.
No Rio, esse movimento combina consumo, música, memória e convivência. Em uma época em que músicas podem ser acessadas instantaneamente pelo celular, o vinil propõe justamente o contrário: escolher o disco, colocar na vitrola, acompanhar a reprodução e participar de uma experiência física em torno da música.
Fontes: Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).