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Com 51,79% dos votos válidos, petista reverte desvantagem do primeiro turno e conquista mandato inédito. Eleição também registra denúncias de falta de ônibus e prorrogação excepcional da votação.

Foto: Sebastião Moreira / EFE

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu a eleição presidencial de 25 de outubro de 2026 e garantiu seu quarto mandato na Presidência da República. Com 51,79% dos votos válidos, o petista superou o senador Flávio Bolsonaro (PL), que recebeu 48,21%.

O resultado marca um momento histórico na política brasileira. Além de conquistar um novo mandato, Lula se tornou o primeiro presidente eleito quatro vezes pelo voto direto no Brasil. A vitória também representa uma virada inédita na disputa presidencial recente, já que o petista terminou o primeiro turno atrás do adversário.

Entretanto, a votação ocorreu em meio a denúncias de dificuldades no transporte público, questionamentos sobre a atuação das autoridades eleitorais e uma decisão excepcional que ampliou o horário de votação.

Resultado das urnas confirma virada de Lula

Lula recebeu 64.256.232 votos, enquanto Flávio Bolsonaro somou 59.826.041. Dessa forma, o presidente reeleito terminou a disputa com uma vantagem de aproximadamente 4,43 milhões de votos.

No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio havia conquistado 47,03% dos votos válidos. Na mesma etapa, Lula registrou 45,16%, o que colocou o petista em segundo lugar na corrida presidencial.

Entretanto, o cenário mudou no segundo turno. Lula ampliou seu apoio eleitoral e ultrapassou o adversário, consolidando uma recuperação que entrou para a história das eleições brasileiras.

Além disso, a participação dos eleitores permaneceu elevada. Segundo os dados finais da Justiça Eleitoral, 128,2 milhões de pessoas compareceram às urnas, enquanto a abstenção ficou em 19,22%.

Os votos brancos representaram 1,12% do total, enquanto os nulos somaram 2,12%. Portanto, a eleição terminou com uma disputa acirrada, marcada pela mobilização de milhões de brasileiros.

Falta de ônibus prejudica eleitores em São Paulo

Apesar do resultado definido pelas urnas, problemas no transporte público marcaram o domingo eleitoral. Em São Paulo, a Agência Pública registrou pontos lotados e eleitores que enfrentaram trajetos muito mais demorados que o habitual.

Um dos casos relatados envolveu Alexandre Mendes, trabalhador autônomo de 44 anos. Ele saiu da região de Interlagos por volta das 14h e pretendia votar na Zona Sul da capital.

Entretanto, a demora dos ônibus alterou seus planos. Após mais de duas horas de deslocamento, Mendes ainda não havia chegado ao destino e temia perder o horário de votação.

Segundo seu relato à reportagem, um percurso que normalmente levaria cerca de 40 minutos se prolongou por causa da espera e das mudanças no trajeto. Por isso, ele precisou caminhar até uma estação de metrô e continuar a viagem.

Além disso, a Agência Pública encontrou outros pontos lotados nas regiões do Campo Limpo, de Itapecerica e da Avenida Carlos Caldeira Filho.

A situação ganhou relevância porque a Justiça Eleitoral havia determinado a manutenção de uma frota equivalente à de um dia útil. Contudo, um levantamento citado pela reportagem apontou que os ônibus circulavam com aproximadamente 70% da capacidade prevista.

Consequentemente, as dificuldades não afetaram apenas quem ainda precisava chegar às seções eleitorais. Eleitores que já haviam votado também relataram problemas para voltar para casa.

Salvador registra ônibus retidos em garagens

Em Salvador, a redução da oferta de transporte coletivo provocou outra crise durante o segundo turno. A Secretaria Municipal de Mobilidade confirmou que pelo menos 75 ônibus ficaram impedidos de sair das garagens após a identificação de adesivos com o número de Lula nos veículos.

Além disso, o governo estadual identificou 252 ônibus parados em três garagens da capital baiana. Os números ampliaram a preocupação com o acesso dos eleitores às seções eleitorais.

Diante da situação, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) adotou medidas para restabelecer a circulação dos veículos. O presidente do tribunal determinou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, que estava em Paris.

A decisão também exigiu a retomada de 100% da frota e estabeleceu multa de R$ 1 milhão por hora em caso de descumprimento. Entretanto, a determinação judicial, por si só, não confirma que a prisão tenha sido efetivamente cumprida.

O episódio provocou questionamentos sobre a responsabilidade da administração municipal na oferta de transporte durante a eleição. A Prefeitura de Salvador, comandada por Bruno Reis, mantém alinhamento político com o campo de Flávio Bolsonaro.

Além disso, os números do primeiro turno ajudam a compreender a relevância eleitoral da capital baiana. Lula conquistou 65,26% dos votos em Salvador, contra 27,03% de Flávio Bolsonaro.

Portanto, a disputa pelo acesso às urnas ganhou uma dimensão política importante em uma cidade onde o petista havia demonstrado ampla vantagem eleitoral.

São Paulo e Salvador reforçam debate sobre acesso ao voto

Os episódios nas duas capitais colocaram o transporte público no centro das discussões sobre a integridade do processo eleitoral. Afinal, a participação democrática depende tanto do direito de votar quanto de condições adequadas para chegar aos locais de votação.

Em São Paulo, Lula também havia terminado o primeiro turno à frente de Flávio na capital. Segundo os dados apresentados na reportagem original, o petista conquistou quase 300 mil votos a mais que o adversário no município.

Além disso, seu desempenho se destacou em bairros periféricos, especialmente nas regiões mais distantes do centro. Esses resultados reforçaram a importância do eleitorado da periferia para a disputa presidencial.

Em contrapartida, as dificuldades de deslocamento levantaram dúvidas sobre as condições oferecidas aos eleitores durante o segundo turno. As denúncias exigem apuração cuidadosa para esclarecer responsabilidades e possíveis impactos sobre a participação eleitoral.

Decisão judicial amplia horário de votação

A crise do transporte também levou a uma medida excepcional no encerramento da votação. O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a extensão do horário por duas horas, permitindo que seções ainda abertas recebessem eleitores até as 19h.

A decisão ocorreu nos minutos finais do horário regular, previsto para terminar às 17h. Antes disso, as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro haviam solicitado a ampliação do prazo.

Entretanto, a demora na definição gerou confusão entre eleitores e autoridades. Segundo a Agência Pública, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, inicialmente informou que não ampliaria o horário, apesar dos pedidos apresentados anteriormente.

Com a intervenção de Zanin, a Justiça Eleitoral precisou ajustar os procedimentos de divulgação dos resultados. A apuração chegou a ser interrompida temporariamente e, posteriormente, foi retomada.

A medida tornou-se um dos episódios mais controversos do pleito. Embora buscasse ampliar as oportunidades de votação em locais ainda abertos, a decisão também evidenciou falhas de coordenação e comunicação entre as autoridades.

Quarto mandato amplia legado político de Lula

A vitória de 2026 amplia uma trajetória política que começou décadas antes de sua chegada à Presidência. Ex-metalúrgico e dirigente sindical, Lula participou da fundação do Partido dos Trabalhadores em 1980 e conquistou projeção nacional durante a redemocratização.

Em 2002, ele venceu sua primeira eleição presidencial e assumiu o cargo em janeiro de 2003. Posteriormente, conquistou a reeleição em 2006 e governou até 2010.

Depois de um intervalo fora da Presidência, Lula retornou ao cargo em 2023, após vencer Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. Agora, com o resultado de 2026, ele acrescenta uma quarta vitória presidencial à sua trajetória eleitoral.

Além do significado histórico, o novo mandato traz desafios políticos e administrativos. Lula precisará lidar com a polarização nacional, as demandas sociais e as negociações com um Congresso que exige articulação permanente.

Ao mesmo tempo, a vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e sua expressiva votação final demonstram a força eleitoral da oposição. Por isso, o resultado não encerra a disputa política, mas inaugura uma nova etapa de embates sobre os rumos do país.

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