Galeria – Oscar 2025 – REUTERS/Daniel Cole – Carlos Barria/Proibida reprodução
O cinema brasileiro celebrou uma conquista histórica na 97ª edição do Oscar, realizada em Los Angeles neste domingo (3). O longa “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles, venceu a categoria de Melhor Filme Internacional, tornando-se o primeiro filme brasileiro a levar a estatueta na categoria. A produção superou concorrentes de peso como Emilia Pérez (França), A Semente do Fruto Sagrado (Alemanha), A Garota da Agulha (Dinamarca) e Flow (Letônia).
Uma noite histórica para o Brasil
Ao subir ao palco para receber o prêmio, Walter Salles dedicou a conquista à memória de Eunice Paiva, esposa do ex-deputado Rubens Paiva, desaparecido durante a ditadura militar. Emocionado, o cineasta destacou a importância do filme em revisitar um capítulo sombrio da história brasileira e ressaltou o trabalho dos atores, incluindo Fernanda Torres, que vive a protagonista.
Fernanda Torres, também indicada ao prêmio de Melhor Atriz, repetiu o feito de sua mãe, Fernanda Montenegro, que recebeu indicação em 1999 por Central do Brasil. No entanto, o prêmio ficou com Mikey Madison, pelo filme Anora, grande vencedor da noite com cinco estatuetas, incluindo Melhor Filme.
Cultura e identidade nacional em destaque
A vitória de Ainda Estou Aqui foi celebrada no Brasil com entusiasmo semelhante ao de uma final de Copa do Mundo. Blocos de carnaval pelo país homenagearam a produção com fantasias, máscaras dos protagonistas e até um boneco gigante de Olinda representando Fernanda Torres.
O impacto do filme se estendeu para além da cerimônia. O livro autobiográfico de Marcelo Rubens Paiva, que inspirou o roteiro, alcançou o topo das listas de mais vendidos. O debate sobre os crimes cometidos durante a ditadura militar também ganhou novo fôlego. Em janeiro, a Justiça brasileira corrigiu a certidão de óbito de Rubens Paiva, retirando a expressão “desaparecido político” e reconhecendo sua morte como violenta, causada pelo Estado.
O que representa essa vitória?
A premiação de Ainda Estou Aqui marca um momento histórico para a cultura brasileira. Mais do que um reconhecimento artístico, o filme trouxe reflexão sobre um período traumático da história nacional. O trabalho de Walter Salles serviu como uma ponte entre gerações, renovando a discussão sobre os desaparecidos políticos e a impunidade de seus algozes.
Com uma narrativa sensível e impactante, o longa dialoga com a atualidade e reforça o papel da arte como instrumento de memória, resistência e transformação social. A vitória de Ainda Estou Aqui no Oscar reforça o poder do cinema brasileiro e sua capacidade de emocionar e conscientizar o mundo.
Fontes:
g1.globo.com
agenciabrasil.ebc.com.br
1.folha.uol.com.br