Jogadores do Vasco comemoram gol de Cuiabano contra o Palmeiras — Foto: Alexandre Maia/MyPhoto Press/Gazeta Press
O Vasco teve uma noite que pode virar ponto de inflexão na temporada. Em São Januário, a equipe venceu o Palmeiras por 2 a 1, de virada, e encerrou um jejum que incomodava o torcedor há tempo: mais de 10 anos sem ganhar do adversário e, especificamente, sem vencer desde 2015. O resultado ganhou ainda mais peso por ter acontecido na estreia de Renato Gaúcho no comando.
Antes mesmo de qualquer debate sobre estilo, o Vasco precisava do básico: pontuar e vencer, independentemente da forma. O contexto era pesado, com pressão por resultado e um rival que vinha como líder do Brasileirão, o que aumentava a dificuldade e tornava a vitória ainda mais simbólica.
Um Vasco mais equilibrado e menos exposto
A principal mudança esteve no comportamento coletivo. O time foi mais organizado para neutralizar as forças do Palmeiras e, principalmente, corrigiu um problema recorrente: a exposição defensiva e os espaços concedidos em transições. Desta vez, a equipe se manteve bem postada, alternando momentos de linha alta com fases de bloco médio/baixo sem perder compactação, o que reduziu o número de contra-ataques perigosos.
Palmeiras sai na frente, mas Vasco sustenta a pressão
Mesmo com o Vasco conseguindo ocupar o campo ofensivo e criar chances, o Palmeiras abriu o placar em uma jogada de qualidade com Flaco López, em lance que também contou com falha individual de Lucas Piton no combate e na marcação. Ainda assim, o time carioca não se desorganizou: manteve a posse em zonas úteis e continuou chegando, especialmente com ações pelo lado esquerdo e boa participação de Andrés Gómez, embora faltasse presença de área para concluir cruzamentos e passes.
Substituição de Piton e entrada de Cuiabano: virada com assinatura do treinador
A troca de Lucas Piton foi um ponto de virada. Em ambiente de cobrança, Renato mexeu e colocou Cuiabano, que respondeu com sua melhor atuação desde que chegou ao clube — e, mais do que isso, foi protagonista na jogada do segundo gol. A mudança reforçou a percepção de um “dedo” do treinador, não só pela escolha, mas pelo impacto direto na dinâmica ofensiva e na confiança do time.
Além disso, as entradas de Adson e Rojas aumentaram a ocupação do campo adversário e melhoraram a pressão pós-perda, enquanto a equipe passou a atacar mais por dentro — ponto determinante para a construção dos dois gols.
Os gols: tabela, pivô e infiltrações pelo centro
O empate veio quando Thiago Mendes fez uma tabela com David e finalizou para marcar seu primeiro gol com a camisa do Vasco — com destaque para a aposta de Renato ao usar o camisa 7 como referência, ajudando no pivô e na sustentação das jogadas. Depois, a virada nasceu de mais uma ação por dentro: Andrés Gómez acelerou a jogada e acionou Cuiabano, que conduziu, enxergou a movimentação de Paulo Henrique, tabelou e entrou na área para finalizar sem goleiro.
Depois da vantagem, soube “sofrer”
Com o 2 a 1, o Vasco enfrentou a previsível pressão do Palmeiras, sobretudo em bolas paradas e cruzamentos. A equipe, porém, competiu melhor no jogo aéreo e contou com intervenções decisivas de Léo Jardim em momento de perigo. O controle emocional e a consistência defensiva ajudaram a sustentar o resultado até o fim.