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Na noite de domingo (26), um grave atropelamento deixou quatro pessoas feridas na Rua Alice, em Laranjeiras, Zona Sul do Rio de Janeiro. O incidente ocorreu durante uma festa de aniversário no bar Sonho Lindo. Segundo testemunhas, o episódio teve origem em uma discussão com cunho político, que se intensificou e terminou em violência.
Discussão começou com provocação por broche “Sem anistia”
De acordo com José Castro, aniversariante da noite, o motorista Luciano Valério Pires, de 47 anos, iniciou provocações direcionadas à sua mãe, que usava um broche com os dizeres “Sem anistia”. A frase, símbolo de movimentos que exigem punição aos envolvidos em atos antidemocráticos após as eleições de 2022, teria incomodado o agressor.
— Ele parecia bolsonarista e não gostou do broche. Ficou provocando a todo momento — relatou José.
Conforme testemunhas, parentes do aniversariante tentaram conter o homem, que deixou o local após o conflito. No entanto, ele retornou dirigindo em alta velocidade e avançou contra os convidados sentados na calçada.
Retorno violento: atropelamento e tentativa de fuga
Após o atropelamento, Luciano tentou fugir, mas perdeu o controle do veículo e colidiu. Policiais militares o prenderam em flagrante. No entanto, ele foi visto saindo da viatura sem algemas e ainda tentou agredir outras pessoas, segundo relatos.
— A polícia foi despreparada. Ele voltou à cena do crime sem algemas — criticou José.
Mesmo com quatro vítimas feridas, nenhuma fatalidade foi registrada. O motorista foi encaminhado para audiência de custódia na manhã desta segunda-feira.
Motorista alega ter sido vítima de agressão política
A advogada de defesa, Alessandra Pires, afirmou que Luciano é professor em uma escolinha de futebol e foi agredido por cerca de 20 pessoas devido a divergências políticas.
— Ele foi vítima. Houve uma discussão e o agrediram em grupo. Ele está até mancando — disse Alessandra.
Na delegacia, Luciano alegou ter sofrido agressões durante o tumulto, e exames médicos confirmaram ferimentos leves. A Polícia Civil o submeteu a exame de alcoolemia e informou que ele não possui antecedentes criminais. O veículo, registrado no Rio de Janeiro, também não tinha multas recentes.
Polícia investiga se motivação foi política
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que analisa se houve motivação política no atropelamento. Agentes colhem depoimentos de testemunhas e aguardam o laudo do exame de alcoolemia.
Segundo testemunhas, antes de cometer o crime, o motorista fez ameaças explícitas:
— Ele disse: “Vocês vão se f… Isso não vai ficar assim.” — relatou uma convidada da festa.
O atropelamento reacendeu debates sobre intolerância política e violência motivada por ideologias. A polícia continua apurando os fatos para esclarecer as circunstâncias e a real motivação do ato.
Fonte: oglobo.globo.com