Um pé de bambu se renova durante até 30 anos — Foto: Freepik
O bambu, tradicional matéria-prima do artesanato, está conquistando espaço como solução sustentável em diversos setores no Brasil. Desde a geração de energia até a fabricação de bioplásticos e materiais para construção civil, a planta vem se firmando como um ativo estratégico para o desenvolvimento econômico e ambientalmente responsável.
Segundo estudo da Future Market Insights, a produção nacional pode crescer 8,6% ao ano até 2034, impulsionada por características como rápido crescimento, regeneração natural por até 30 anos e baixa demanda hídrica. O Brasil, com 5,26 milhões de hectares de bambuzais (entre nativos e plantados), apresenta potencial comparável ao de grandes produtores como China e Índia.
Além da substituição do eucalipto na geração de energia, o bambu é utilizado na indústria têxtil, cosmética, alimentícia (broto comestível) e na produção de embalagens, papel, carvão vegetal e biochar — este último, um tipo de carvão biológico que melhora o solo e contribui para o sequestro de carbono.
Diversificação regional e novos mercados
O Acre lidera a produção nacional, mas outros estados como Maranhão, Paraíba, Pernambuco, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Paraná e Rio Grande do Sul também investem no cultivo, com foco em diferentes segmentos industriais.
A FS Energia, por exemplo, iniciou em 2019 um projeto com 5 mil hectares de bambu em Sorriso (MT) e, após os resultados positivos, expandiu a área para 15 mil hectares. A planta se destacou por seu alto poder calorífico (cerca de 4.500 kcal) e tempo de colheita 50% menor do que o do eucalipto.
Pequenos produtores lideram expansão
A produção é conduzida majoritariamente por pequenos agricultores. No Rio Grande do Sul, Ângelo Pedrotti cultiva 13 hectares e comercializa bambu tratado, carvão ativado e mudas. No Paraná, João Luiz Veiga Silva Filho foi um dos primeiros a vender biochar feito de bambu e fornece mudas para proteção de matas ciliares. Já no Rio de Janeiro, Danilo Candia é pioneiro na bioconstrução com a planta, atuando em parceria com o arquiteto colombiano Simón Vélez.
Soluções ambientais e industriais
Segundo a Embrapa Acre, o bambu tem alto poder de sequestro de carbono (entre 12 e 17 toneladas por hectare/ano), exige menos água que árvores tradicionais e contribui para a regeneração do solo e a mitigação de mudanças climáticas.
Produtos como carvão vegetal, biochar e bioplástico são apontados como promissores. O carvão de bambu, por exemplo, tem aplicações que vão da purificação de água à substituição de combustíveis fósseis, emitindo menos poluentes. Já os bioplásticos derivados da planta surgem como alternativa aos plásticos convencionais, com expectativa de maior competitividade nos próximos anos.
Agricultura familiar e inovação
A Associação Brasileira de Bambu e iniciativas universitárias têm promovido o uso da planta como fonte de renda para a agricultura familiar. A presidente da entidade, Juliana Cortez Barbosa, destaca que parcerias com empresas de utensílios permitiram que itens simples, como cabos de escova de cabelo feitos de bambu, gerassem mais receita do que culturas tradicionais.
Com alta capacidade de adaptação, baixo custo de manutenção e múltiplos usos, o bambu se consolida como um elemento-chave para uma economia verde, sustentável e descentralizada.
Fontes:
globorural.globo.com
oglobo.globo.com