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Construções antiaéreas da década de 1940, escondidas em edifícios de bairros como Copacabana e Flamengo, voltam a chamar atenção com projetos de mapeamento e visitação histórica.

A construção dos abrigos subterrâneos no Rio de Janeiro não foi uma escolha aleatória – depositphotos.com / ilonabradacova@email.cz

Durante os anos sombrios da Segunda Guerra Mundial, o Rio de Janeiro, então capital do Brasil, tornou-se alvo de medidas estratégicas de proteção civil. Em meio ao temor de ataques aéreos, diversos edifícios da cidade — especialmente em Copacabana, Flamengo, Ipanema e Botafogo — receberam a construção de bunkers antiaéreos subterrâneos, criados para proteger a população em caso de bombardeios.


Com o tempo, essas estruturas foram esquecidas, convertidas em garagens, depósitos ou áreas técnicas. Décadas depois, elas estão sendo redescobertas por historiadores, arquitetos e moradores curiosos, reabrindo uma janela para um capítulo pouco conhecido da história urbana carioca.

Por que o Rio teve bunkers durante a guerra?

Em 1942, o Brasil declarou guerra ao Eixo após submarinos alemães afundarem navios brasileiros. Como capital federal e centro estratégico, o Rio foi incluído em um plano nacional de defesa passiva antiaérea, que determinava a construção de abrigos em prédios públicos e privados.

Um decreto-lei obrigava empreendimentos de grande porte a prever áreas de refúgio em seus projetos. Bairros como Copacabana e Flamengo abrigaram dezenas dessas estruturas. Elas não eram simples porões: muitos bunkers contavam com sistemas de ventilação, energia elétrica, banheiros, cozinhas e espaço para centenas de pessoas.

Em alguns edifícios, como a Galeria Menescal, os abrigos tinham capacidade para até mil ocupantes e eram considerados itens de luxo e segurança. Imobiliárias anunciavam a presença de bunkers como diferencial de modernidade e status.

Como funcionavam os bunkers antiaéreos?

Os bunkers da década de 1940 eram construídos com paredes reforçadas, portas de aço e circuitos elétricos independentes. Tinham estrutura para resistir a bombardeios e funcionar de forma autônoma por dias. Alguns dispunham de reservas de água, alimentos e medicamentos.

Além dos coletivos, o governo incentivava a construção de trincheiras domésticas. Campanhas educativas nos rádios e jornais ensinavam como se proteger durante ataques. Em escolas, eram realizados simulados de evacuação e cursos de primeiros socorros.

A convivência com essa realidade fez parte da rotina dos cariocas durante parte da guerra, deixando marcas na arquitetura da cidade que só agora voltam a ser notadas.

O que aconteceu com esses bunkers depois da guerra?

Com o fim do conflito, os bunkers perderam sua função original. Sem registros ou sinalizações oficiais, muitos foram modificados ou esquecidos. A maioria foi transformada em garagens ou depósitos nos anos seguintes, enquanto outros foram demolidos durante reformas.

Ainda assim, detalhes como paredes espessas, saídas de emergência e portas blindadas sobrevivem em alguns prédios. Hoje, são vistos como testemunhos silenciosos de um período de tensão global e de mobilização nacional.

A redescoberta histórica: onde estão os bunkers?

Nos últimos anos, pesquisadores e entusiastas têm identificado e mapeado os bunkers remanescentes. O projeto “Bunker Paradies”, por exemplo, reúne informações, mapas e imagens de várias dessas estruturas espalhadas pela cidade. Locais como:

  • Galeria Menescal (Copacabana)
  • Colégio Andrews (Botafogo)
  • Hospital São Zacharias (Flamengo)
  • Prédios residenciais na Avenida Atlântica, Praia do Flamengo e Rua Barata Ribeiro

…já foram identificados como endereços históricos com abrigos subterrâneos preservados ou parcialmente mantidos.

Turismo de memória e valorização do patrimônio

A nova atenção aos bunkers da Segunda Guerra Mundial no Brasil tem incentivado iniciativas de turismo histórico, como visitas guiadas, roteiros culturais e exposições escolares. Projetos em parceria com universidades e institutos culturais buscam educar novas gerações sobre a presença da guerra na vida urbana brasileira.

Além de contribuir para a preservação da memória, esse movimento reforça o valor histórico da arquitetura carioca e ajuda a resgatar a identidade urbana do Rio de Janeiro, muitas vezes apagada pelas transformações da cidade ao longo do século.

A redescoberta dos bunkers cariocas oferece uma nova perspectiva sobre a história do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Ao reconhecer e valorizar esses espaços esquecidos, o Rio de Janeiro resgata não apenas sua arquitetura, mas também a memória coletiva de um tempo de resistência e preparação civil diante da guerra. Transformados pelo tempo, mas não apagados, esses abrigos ainda têm muito a dizer sobre o passado — e sobre o presente.

Fontes:
correiobraziliense.com.br

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