Foto: Reprodução
A facção criminosa Comando Vermelho proibiu a circulação de motoristas de aplicativo em comunidades de São João de Meriti, na Baixada Fluminense. De acordo com denúncias de moradores, apenas veículos pertencentes a uma cooperativa criada pelos traficantes podem atuar na região.
Pichações e ameaças intimidam motoristas
Fotos divulgadas nas redes sociais mostram muros com pichações alertando sobre a proibição. Segundo testemunhas, os criminosos ameaçaram motoristas que desrespeitassem a ordem e prometeram retaliações. Muitos profissionais deixaram de aceitar corridas para esses bairros com medo de represálias.
Os bairros mais afetados pela medida são São Mateus e Tomazinho, onde moradores enfrentam dificuldades para utilizar aplicativos de transporte. O controle do tráfico sobre a mobilidade local impede a liberdade de escolha dos cidadãos, que se veem obrigados a utilizar os serviços da cooperativa ligada à facção.
Polícia investiga restrições impostas pelo crime organizado
A Polícia Militar informou que atua no combate à criminalidade e reforçou a importância das denúncias. No entanto, a corporação admitiu que esse tipo de restrição ocorre de forma velada, dificultando a repressão. O 21º BPM (São João de Meriti) investiga o caso.
A Uber lamentou a situação e destacou que, em algumas áreas com alto risco de violência, pode restringir solicitações de viagem em determinados horários e exigir mais informações de identificação dos usuários.
Já a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa a 99, afirmou estar acompanhando os relatos e defendeu ações do poder público para garantir o direito de ir e vir da população.
Medo e insegurança dominam a região
Com o transporte limitado, os moradores relatam dificuldades para se deslocar. Muitos dependem dos aplicativos para trabalhar, estudar e realizar atividades cotidianas, mas agora precisam recorrer a meios alternativos.
O domínio do tráfico sobre a mobilidade urbana é um desafio recorrente no Rio de Janeiro. Apesar das operações policiais, facções continuam impondo suas próprias regras em diversas comunidades, afetando diretamente a vida da população.
Fonte: g1.globo.com/cnnbrasil.com.br