Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles
O governo do Rio de Janeiro vai solicitar oficialmente, até 15 de outubro, o apoio das Forças Armadas e da Polícia Federal para retomar o controle de territórios ocupados por facções criminosas ligadas ao tráfico de drogas. A medida integra o cumprimento de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), proferida no âmbito da “ADPF das Favelas”, que exige a elaboração de um plano de reocupação territorial com redução da letalidade policial.
Segundo o secretário de Segurança Pública, Victor dos Santos, o governo estadual pretende acionar a Garantia da Lei e da Ordem (GLO) como base legal para a atuação do Exército. O objetivo principal é garantir segurança para a população e expulsar traficantes fortemente armados que atuam em comunidades estratégicas do estado.
Operações poderão começar já em 2025
A proposta prevê a realização de ações conjuntas entre forças estaduais e federais, com início em áreas consideradas de baixa complexidade operacional, como Cidade de Deus, São Gonçalo, Vila Kennedy, Antares e Mangueirinha. Já regiões como o Complexo do Alemão estão classificadas como de alta criticidade e devem ser abordadas posteriormente, segundo o planejamento.
Além do Exército, o plano também envolverá a Polícia Federal, a Polícia Civil, a Polícia Militar, e contará com o apoio de veículos blindados e equipamentos de grande porte, fundamentais para ultrapassar barricadas e enfrentar o armamento pesado das facções.
Estado quer atuar além da força policial
Embora o plano inclua operações de retomada militar e policial, Victor dos Santos reforça que o foco não será apenas o confronto armado. “O poder público não pode se fazer presente só com polícia. É preciso integrar segurança, inclusão social e geração de renda”, afirmou.
O plano em elaboração conta com a participação de várias câmaras temáticas, que discutem iniciativas nas áreas de justiça, infraestrutura urbana e estímulo à economia local. O governo pretende, assim, quebrar o ciclo de dependência das comunidades em relação ao comércio paralelo controlado por criminosos, que inclui desde venda de drogas até fornecimento clandestino de internet, gás e eletricidade.
GLO é vista como ferramenta estratégica e logística
De acordo com o secretário, a GLO surge como uma opção logística necessária para o êxito da operação. Apesar disso, o governo estadual ainda precisa alinhar detalhes com o governo federal. “Vamos apresentar um plano estruturado, com cronograma, metas e indicadores de resultado”, explicou.
Segundo ele, a ideia é blindar o plano contra interferências eleitorais. Mesmo com o governador Cláudio Castro (PL) e o presidente Lula (PT) em campos opostos, o secretário afirma que a governança será compartilhada entre União, estado e municípios.
Polícia Federal estreita cooperação com o estado
Victor dos Santos também destacou o avanço na integração com a Polícia Federal, que já vem colaborando com as polícias estaduais no combate ao tráfico e à milícia. A expectativa é que essa sinergia se intensifique durante a execução do plano, ampliando a efetividade das ações e melhorando a segurança nas comunidades.
Fonte: metropoles.com