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Projeto-piloto começa na Zona Sudoeste, com policiamento 24h, ações sociais e impacto estimado em 1,2 milhão de pessoas.

O Governo do Estado do Rio de Janeiro encaminhou ao Supremo Tribunal Federal o Plano Estratégico de Reocupação Territorial, que prevê a retomada permanente de áreas controladas por facções criminosas e milícias. O projeto, apresentado nesta segunda-feira (22), começará em 2026, depende de homologação do STF e atende às diretrizes da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas. O plano-piloto será implementado inicialmente em Gardênia Azul, Rio das Pedras e Muzema, na Zona Sudoeste do Rio.

O que é o plano de reocupação territorial

O plano estabelece uma atuação integrada, contínua e multissetorial do poder público, combinando segurança, justiça, políticas sociais, urbanismo e desenvolvimento econômico. O objetivo é desarticular a economia do crime, impedir a expansão territorial de facções e restabelecer a presença permanente do Estado, com respeito aos direitos fundamentais.

Segundo o governo estadual, a região escolhida — conhecida como Cinturão de Jacarepaguá — sofre há anos com a atuação de milícias e facções criminosas, além de disputas recentes por controle territorial. O impacto estimado da iniciativa pode alcançar até 1,2 milhão de pessoas.

Por que essas comunidades foram escolhidas

O estudo de viabilidade utilizou critérios como:

  • criticidade territorial
  • alcance populacional
  • indicadores sociais
  • risco de expansão do crime organizado

As comunidades somam cerca de 85 mil moradores diretamente e concentram áreas estratégicas para o avanço do crime na Zona Oeste. Estimativas do governo indicam que organizações criminosas lucraram na região:

  • R$ 10 bilhões com compra e venda ilegal de imóveis
  • R$ 3 milhões por mês com serviços clandestinos de internet
  • R$ 4 milhões por mês com venda ilegal de gás

Outras atividades ilegais, como mototáxi, água em galão, carvão e taxas ao comércio local, ainda estão em fase de apuração.

Policiamento comunitário e bases 24 horas

O plano prevê a criação de Bases Integradas de Segurança Territorial (BIST), com funcionamento 24 horas e foco em policiamento comunitário. As unidades contarão com tecnologia de monitoramento, incluindo:

  • leitura automática de placas
  • identificação de veículos roubados ou clonados
  • cruzamento de dados com mandados de prisão

“O objetivo não é apenas conter a expansão do Comando Vermelho, mas interromper sua consolidação em uma região com alto potencial de crescimento”, afirmou o secretário de Segurança Pública, Victor dos Santos.

Os cinco eixos do plano

O documento, com 232 páginas, está estruturado em cinco eixos estratégicos:

1. Segurança Pública e Justiça

  • Operações integradas entre forças estaduais, federais e, se necessário, Forças Armadas
  • Bases BIST com policiamento comunitário
  • Justiça Itinerante (Defensoria, MP e Juizados)
  • Repressão ao tráfico de armas e à lavagem de dinheiro

2. Desenvolvimento Social

  • Centros da Juventude e Oportunidades (CJO)
  • Escolas em tempo integral
  • Fortalecimento de CRAS, CREAS e Conselhos Tutelares
  • Combate ao aliciamento de jovens pelo crime

3. Urbanismo e Infraestrutura

  • Obras de saneamento e iluminação pública
  • Regularização fundiária e entrega de títulos de propriedade
  • Mobilidade urbana e conectividade pública

4. Desenvolvimento Econômico

  • Zonas de Incentivo ao Empreendedorismo (ZIE)
  • Microcrédito e apoio a cooperativas locais
  • Parcerias para contratação de mão de obra da própria comunidade

5. Governança e Sustentabilidade

  • Criação do Gabinete Integrado de Gestão Territorial (GIGT)
  • Conselhos populares de acompanhamento
  • Plataforma digital de transparência e indicadores públicos

Participação da comunidade

Pesquisas realizadas com 400 moradores apontaram que:

  • 58,5% têm boas expectativas com o plano
  • 39% acreditam em melhora real na qualidade de vida

Entre os principais problemas citados estão infraestrutura, questões ambientais, desordem urbana e segurança. As maiores expectativas de melhoria envolvem saúde, educação, saneamento, esporte e lazer.

Próximos passos

O plano agora aguarda homologação do STF. Após a aprovação, cada território terá um plano tático específico, com cronograma e responsabilidades compartilhadas entre Estado, municípios e União. Novas áreas poderão ser incluídas em fases futuras, conforme critérios técnicos.

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