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Prometida desde maio, a redução para R$ 4,70 não será implementada. Déficit orçamentário de quase R$ 19 bilhões inviabilizou o subsídio planejado.

Foto: Clarice Castro/GERJ

O governo do estado do Rio de Janeiro desistiu oficialmente de reduzir o valor das passagens de metrô e trem para R$ 4,70, conforme prometido em maio.
A informação consta em um ofício assinado em 30 de outubro pela secretária estadual de Transportes, Priscila Sakalem, e obtido pela CBN.

O documento afirma que, “diante das restrições orçamentárias e após todos os esforços do Governo do Estado, não será possível concretizar a medida neste momento”.
O texto faz referência ao projeto Tarifa RJ, que previa o subsídio para diminuir o custo do transporte público.

Com a decisão, o governo poderá remanejar R$ 15 milhões que seriam destinados a uma campanha publicitária anunciando a redução.
A iniciativa era considerada uma das principais apostas para melhorar a popularidade do governador Cláudio Castro (PL) e estimular o uso do transporte público, em especial do metrô, cuja tarifa é a mais cara do país.

Motivos e impacto da decisão

De acordo com a Secretaria de Transportes e Mobilidade Urbana, a medida foi suspensa por razões fiscais. O Estado enfrenta um déficit orçamentário estimado em R$ 18,93 bilhões para 2026, com receita prevista de R$ 107,64 bilhões e despesas de R$ 126,57 bilhões.

A pasta destacou, em nota, que o governo reconhece a importância social da redução tarifária, mas a decisão deve “respeitar a responsabilidade fiscal e o equilíbrio das contas públicas”.

“Estamos realizando estudos para avaliar o impacto da medida e buscar alternativas compatíveis com a realidade financeira atual”, informou o órgão.

Plano que não saiu do papel

A proposta havia sido divulgada pela coluna Conversa de Bastidor, da CBN Rio, em 14 de maio. À época, o então secretário de Transportes, Washington Reis, estimou um investimento de R$ 300 milhões em subsídios e chegou a afirmar que a medida seria “o maior legado” do governo Castro.

Poucos meses depois, Reis foi desautorizado publicamente e acabou exonerado em julho, durante a gestão interina do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União).
Mesmo após sua saída, o governo chegou a garantir que o plano seguiria ativo — promessa que agora foi oficialmente descartada.

A secretária Priscila Sakalem confirmou que o governo suspendeu a campanha de divulgação da “nova tarifa pública”, que já estava em fase de planejamento.

Crise de passageiros no transporte público

A desistência ocorre em meio à queda acentuada na demanda pelo transporte sobre trilhos.
Segundo dados do setor, o metrô transportou 252 milhões de passageiros em 2019, antes da pandemia, mas apenas 184 milhões em 2024 — uma redução de 27%.

O governo pretendia usar o subsídio como incentivo para reconquistar usuários e diminuir o peso no bolso dos trabalhadores.
No entanto, o impasse financeiro e a ausência de fontes de compensação inviabilizaram o projeto.

Discussões sobre orçamento continuam na Alerj

Enquanto o governo recua da medida, os deputados estaduais analisam o projeto de Lei Orçamentária de 2026, que detalha o déficit e prevê ajustes em diversos setores.
A discussão na Alerj deve se estender nas próximas semanas, com emendas para recompor investimentos em mobilidade e infraestrutura.

Fontes do Palácio Guanabara afirmam que a equipe econômica tenta rever contratos de concessão e buscar parcerias privadas para aliviar o impacto sobre os cofres públicos.

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