O uso crescente de inteligências artificiais (IAs), como ChatGPT e ferramentas generativas de imagens, está revelando um custo ambiental oculto: a demanda por água potável em data centers. Apenas 20 a 50 perguntas feitas a um chatbot podem consumir meio litro de água, e a geração de imagens multiplica esse impacto, equivalente a dezenas de milhões de litros por dia globalmente. Especialistas alertam que esse consumo se dá principalmente pelo resfriamento de servidores e pelo treinamento intensivo de modelos de IA, um desafio urgente frente à escassez hídrica mundial.
As inteligências artificiais, embora virtuais, dependem de estruturas físicas para funcionar. Os data centers, ou centros de processamento de dados, armazenam informações e processam algoritmos complexos. O calor gerado pelos servidores exige sistemas de resfriamento que consomem enormes volumes de água potável.
Estudos recentes revelam que apenas o treinamento do GPT‑3 nos Estados Unidos consumiu cerca de 700 mil litros de água. Em uso cotidiano, a cada 20 a 50 interações, as plataformas de IA podem evaporar meio litro de água. Quando se trata da geração de imagens, especialmente em alta resolução, o consumo é até 30 vezes maior que para textos simples. Para efeitos de comparação, 1 milhão de novos usuários criando imagens em um único dia pode utilizar aproximadamente 75 mil litros de água apenas nesse período.
Além disso, grandes data centers da Google e Microsoft já consomem bilhões de litros anuais de água para manter suas operações, muitas vezes em regiões com escassez hídrica, causando impactos ambientais diretos, como evaporação, assoreamento de rios e aumento da pressão sobre recursos locais. A produção de microchips, essencial para alimentar a inteligência artificial, também requer milhões de litros de água ultrapurificada diariamente.
No Brasil, o cenário é igualmente crítico. A concentração de data centers no Sudeste, região já afetada por crises hídricas, coloca em risco o abastecimento local. Especialistas destacam a necessidade de políticas públicas, regulamentações ambientais e transparência corporativa para reduzir a pegada hídrica da IA.
Soluções inovadoras começam a surgir: resfriamento por ar, circuitos fechados, imersão líquida de servidores, otimização energética via inteligência artificial e localização estratégica de data centers em regiões frias podem reduzir significativamente o consumo de água. Além disso, conscientização de usuários e empresas sobre a pegada hídrica das interações com IA é crucial para um uso mais sustentável.
A discussão sobre impacto ambiental da inteligência artificial já foi pauta na agenda de conferências globais, como a COP-30, destacando a necessidade de equilibrar benefícios tecnológicos com a preservação de recursos naturais e a sustentabilidade hídrica mundial.