Hugo Motta (C) recebe de Lula o projeto da isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil
O governo federal anunciou um projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais. Além disso, a proposta prevê redução da alíquota para aqueles que ganham entre R$ 5 mil e R$ 7 mil. Apesar do apelo popular, a medida levanta questionamentos sobre sua viabilidade econômica e impactos na arrecadação. Especialistas alertam que a renúncia fiscal pode comprometer o equilíbrio das contas públicas e gerar dificuldades para compensar essa perda de receita.
Impacto fiscal e riscos para a arrecadação
A ampliação da isenção ocorre em um momento delicado das contas públicas. O Brasil enfrenta uma crise fiscal, e qualquer redução na arrecadação pode agravar o cenário. O governo planeja compensar a perda tributando mais os que ganham acima de R$ 50 mil mensais e cobrando impostos sobre dividendos. No entanto, há incertezas sobre a efetividade dessas medidas.
Tributar dividendos sem reduzir o imposto sobre o lucro das empresas pode desestimular investimentos. Atualmente, os dividendos são isentos porque a tributação sobre as empresas já é elevada. Se a proposta não equilibrar esses fatores, o efeito pode ser contrário ao desejado. Além disso, mudanças desse tipo costumam enfrentar resistência no Congresso e no Judiciário, o que pode resultar em menor arrecadação do que o previsto.
Benefício restrito e possíveis efeitos inflacionários
A isenção beneficia apenas trabalhadores formais, deixando de fora a maior parte dos brasileiros que estão na informalidade. Com isso, a medida pode gerar uma percepção de injustiça entre a população.
Outro efeito colateral preocupante é o impacto inflacionário. A classe média tende a gastar uma parcela significativa da renda extra em consumo, o que pode pressionar os preços e dificultar o controle da inflação. Se a demanda aumentar sem uma contrapartida no crescimento da oferta, os preços subirão, reduzindo o benefício esperado pela população.
Reforma tributária ou mais um “puxadinho”?
O sistema tributário brasileiro já é considerado um dos mais complexos do mundo. Em vez de promover uma reforma ampla e estrutural do Imposto de Renda, o governo optou por mais uma mudança pontual. Especialistas argumentam que isso pode aumentar ainda mais a burocracia e a imprevisibilidade do sistema.
A recente reforma da tributação do consumo foi um avanço na simplificação dos impostos. No entanto, a proposta do Imposto de Renda pode seguir na contramão ao criar novas distorções. Um modelo mais equilibrado deveria focar na progressividade, cobrando mais de quem tem maior capacidade contributiva, sem abrir mão da arrecadação de maneira precipitada.
Consequências políticas e eleitorais
Além dos impactos econômicos, há um componente político relevante. A classe média, principal beneficiária da isenção, historicamente não é o principal eleitorado do presidente Lula. A proposta pode ser uma estratégia para conquistar esse segmento em meio à preparação para as eleições de 2026.
No entanto, a medida pode não ter o efeito esperado. Parte dos eleitores pode enxergar a iniciativa como um ato populista e questionar sua real eficácia. Ao mesmo tempo, a renúncia fiscal pode prejudicar áreas essenciais que dependem da arrecadação, como saúde, educação e segurança pública.
Fontes:
agenciagov.ebc.com.br
camara.leg.br
veja.abril.com.br