O presidente francês Emmanuel Macron discursa à nação, em Paris, França, em 5 de março de 2025 — Foto: France Televisions/Handout via Reuters
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que o país está disposto a discutir o uso de seu arsenal nuclear para proteger aliados europeus. Em pronunciamento à nação nesta quarta-feira (5), ele classificou a Rússia como uma ameaça crescente e defendeu a união do continente em prol da defesa da Ucrânia.
“Decidi abrir o debate estratégico sobre a proteção de nossos aliados no continente europeu através da nossa dissuasão nuclear”, declarou Macron em entrevista à agência France-Presse. O discurso ocorreu às vésperas de uma cúpula de líderes europeus que discutirá segurança e defesa.
Tensões entre Europa, Rússia e EUA
A Rússia tem ampliado sua capacidade militar desde a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022. O governo russo planeja aumentar seu exército para mais 300 mil soldados, além de reforçar seu arsenal com 3.000 tanques e 300 aviões de caça até 2030. Macron alertou que Moscou transformou o conflito em uma questão global, afetando diretamente os países europeus.
Além da ameaça russa, Macron criticou a postura dos Estados Unidos sob a administração de Donald Trump. Ele considerou “incompreensível” a decisão norte-americana de impor tarifas a produtos europeus, como ocorreu com Canadá e México. O presidente francês também demonstrou preocupação com o possível afastamento dos EUA em relação à segurança do continente.
“Quero acreditar que os Estados Unidos permanecerão ao nosso lado, mas devemos estar preparados se isso não acontecer”, afirmou.
França reforça compromisso com aliados
Diante da incerteza sobre o apoio norte-americano, Macron sugeriu que a França amplie sua responsabilidade na defesa europeia. Atualmente, o país é o único membro da União Europeia com arsenal nuclear desde a saída do Reino Unido do bloco. Seu estoque de armas nucleares, desenvolvido na Guerra Fria, conta com cerca de 290 ogivas, segundo estimativas da Campanha Internacional para Abolição das Armas Nucleares (ICAN).
A França também intensificou o compartilhamento de inteligência com a Ucrânia, após os Estados Unidos suspenderem a cooperação na tentativa de pressionar o presidente Volodymyr Zelensky a negociar com Moscou. O ministro da Defesa francês, Sébastien Lecornu, destacou que a França possui recursos de inteligência capazes de auxiliar os ucranianos.
Dissuasão nuclear como estratégia de defesa
Desde a Segunda Guerra Mundial, potências militares utilizam arsenais nucleares como ferramenta de dissuasão. O objetivo não é o uso efetivo das bombas, mas sim impedir ataques inimigos. No cenário atual, Macron argumenta que a dissuasão nuclear francesa pode garantir a segurança dos aliados europeus, especialmente diante do avanço militar russo.
Fontes:
noticias.uol.com.br
g1.globo.com
correiobraziliense.com.br