Moradores do Complexo do Alemão participaram, na segunda-feira (13), do debate “Extra Favelas”, promovido com apoio da Câmara Municipal, para apresentar demandas urgentes sobre mobilidade urbana nas favelas cariocas.
Durante o evento, realizado na Vila Olímpica Jorginho da SOS, representantes da comunidade destacaram a necessidade de reativar o teleférico e integrá-lo aos mototáxis, cabritinhos e ao metrô, melhorando o deslocamento diário dos moradores.
O encontro contou com a presença dos vereadores Vitor Hugo (MDB), Deangeles Percy (PSD) e Rafael Satiê (PL), da subsecretária de Planejamento e Concessões, Simone Costa, e de Rene Silva, do Voz das Comunidades.
Teleférico voltará após reforma; população cobra integração
Desativado desde 2016, o teleférico do Alemão está passando por reforma e deverá voltar a operar até o fim de 2025. As obras contam com investimentos de aproximadamente R$ 244,5 milhões.
Serão recuperadas as seis estações, além da substituição de cabos, sistemas eletrônicos, infraestrutura e aquisição de 152 novas gôndolas. O sistema, com 3,5 km de extensão, é considerado essencial para a mobilidade local.
No entanto, moradores insistem que, para funcionar de forma eficaz, o teleférico deve se conectar com outros modais já utilizados nas favelas, como os mototáxis, kombis e os populares “cabritinhos”.Transporte comunitário é alternativa histórica nas favelas
Rene Silva ressaltou que a favela sempre criou suas próprias soluções de mobilidade. Segundo ele, o transporte comunitário, como os mototáxis e kombis, surgiu da ausência de políticas públicas e se mostrou eficiente.
Ele ainda destacou que, diferente do Rio, cidades como Medellín já integram seus teleféricos com ônibus e outros meios de transporte, o que melhora a mobilidade e promove acessibilidade a todos os moradores.
Paulinho da Social, líder comunitário, lembrou que a falta do teleférico afeta especialmente pessoas com deficiência, além de idosos que não conseguem usar motos ou vans, reforçando a urgência de soluções inclusivas.
Rotas de cabritinho ainda são insuficientes
Atualmente, o Complexo do Alemão opera com 19 linhas de cabritinho. Mesmo assim, muitas ainda não conectam os moradores aos centros comerciais, hospitais ou estações de transporte de massa.
Wellington Ramos, líder do transporte comunitário local, destacou que algumas rotas já alimentam o BRT e o metrô, mas outras ainda precisam ser expandidas. Ele defende mais integração com o sistema municipal de transporte.
A subsecretária Simone Costa explicou que todas as rotas precisam ser regulamentadas. Segundo ela, as integrações são importantes porque aproveitam o potencial de cada modal para cada área da cidade.
Obras de infraestrutura complementar estão em andamento
Além da mobilidade, a Prefeitura e a Câmara aprovaram uma proposta para financiar obras estruturais no Complexo do Alemão. O projeto também prevê melhorias em Acari e na Rocinha, com recursos da Caixa Econômica Federal.
Entre as intervenções previstas estão a construção de redes de esgoto e abastecimento de água, contenção de encostas, iluminação pública, áreas de lazer e urbanização de regiões afetadas por reassentamentos.
O vereador Deangeles Percy ressaltou que essas ações são fundamentais para elevar o padrão de vida das famílias que vivem em situação de vulnerabilidade social nas comunidades atendidas.
“Extra Favelas” segue ouvindo a população
O ciclo de debates “Extra Favelas” terá mais dois encontros. O próximo acontece na Cidade de Deus, com o tema “Juventude”, e o último debate, em Realengo, vai abordar “Trabalho e Renda”.
Esses eventos reúnem parlamentares, secretários municipais e lideranças locais para discutir os maiores desafios das comunidades e buscar soluções viáveis por meio de políticas públicas participativas.
Além dos encontros, uma pesquisa está sendo aplicada com os moradores para mapear prioridades em áreas como transporte, segurança, saúde, educação, saneamento e cultura.
Fontes: camara.rio