Um motorista morreu após ser atingido por um tiro disparado por um policial militar, na madrugada desta sexta-feira (7), nas proximidades do Complexo do Chapadão, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Segundo informações da Polícia Militar, o homem desobedeceu a uma ordem de parada e teria avançado em direção a um cerco policial montado durante uma operação na região.
Os agentes que participavam do patrulhamento afirmaram que foram atacados por criminosos armados em três motocicletas pouco antes do disparo. Em meio à troca de tiros, o motorista, que dirigia um veículo de passeio, não atendeu à ordem de parada e seguiu em frente, momento em que um dos policiais efetuou o disparo que o atingiu.
O homem foi levado com vida para o Hospital Getúlio Vargas, na Penha, mas não resistiu aos ferimentos.
Polícia investiga as circunstâncias do disparo
Em nota, a Polícia Militar informou que o comando da unidade instaurou um procedimento interno para investigar as circunstâncias da ação e apurar se houve excesso na conduta do agente.
A ocorrência foi registrada na 31ª Delegacia de Polícia (Ricardo de Albuquerque), responsável por conduzir as investigações. Testemunhas e os próprios policiais envolvidos deverão ser ouvidos nos próximos dias.
A perícia foi acionada para examinar o veículo da vítima e o local do disparo, com o objetivo de esclarecer se houve risco real aos agentes no momento do incidente.
Região marcada pela violência
O Complexo do Chapadão é uma das áreas mais conflituosas da Zona Norte do Rio, com forte presença de facções criminosas e histórico de confrontos entre policiais e traficantes. A região é constantemente alvo de operações conjuntas entre as polícias Civil e Militar para combater o tráfico de drogas e o roubo de veículos.
Moradores relatam que, nas últimas semanas, houve aumento na presença policial e intensificação de operações noturnas, especialmente nas vias de acesso ao complexo, como a Avenida Brasil e a Estrada do Camboatá.
Debate sobre uso da força policial
O caso reacende o debate sobre o uso da força por agentes de segurança pública e o risco de mortes de civis em ações policiais. Especialistas em segurança defendem a necessidade de protocolos mais rigorosos para o uso de armas de fogo em abordagens, especialmente em áreas densamente povoadas.
De acordo com dados recentes do Instituto de Segurança Pública (ISP), o número de mortes decorrentes de intervenção policial no estado do Rio voltou a crescer em 2025, após uma leve queda registrada no ano anterior.