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Único concorrente do certame judicial administrará sistema ferroviário por cinco anos com modelo de remuneração por quilômetro rodado.

Foto: Divulgação/Supervia

O Consórcio Nova Via Mobilidade venceu, nesta terça-feira (10), o leilão judicial da SuperVia.
Como único concorrente, o grupo garantiu a concessão sem disputa direta.
O certame foi realizado no âmbito da recuperação judicial da concessionária.

O contrato inicial terá duração de cinco anos.
Além disso, o modelo prevê remuneração por quilômetro rodado.
A assinatura do acordo deve ocorrer ainda neste mês.

O valor estimado da contratação alcançava R$ 660 milhões.
No entanto, o consórcio ofereceu desconto de 0,06% sobre a tarifa contratual.
A proposta foi declarada vencedora após análise técnica.

Importante destacar que a Nova Via Mobilidade não possui relação com a Via Mobilidade.

Novo modelo de gestão ferroviária

A partir do novo contrato, o operador receberá por quilômetro rodado.
Anteriormente, a remuneração considerava o número de passageiros transportados.
Segundo o governo estadual, a mudança trará maior previsibilidade tarifária.

Além disso, o modelo busca reduzir pedidos de reequilíbrio contratual.
Consequentemente, o Estado pretende minimizar impactos de quedas na demanda.
O contrato também estabelece metas de desempenho operacional.
Esses índices deverão ser cumpridos para garantir qualidade no serviço.

Para tornar o leilão mais atrativo, foi criada a UPI Ferroviária.
Assim, o novo operador assumirá a gestão sem herdar dívidas antigas.
Os passivos judiciais foram mantidos sob responsabilidade da antiga estrutura.

Também foi instituído um fundo de transição.
O administrador judicial gerenciará esse mecanismo financeiro.
O objetivo central é evitar interrupção do serviço durante a mudança.

Após a assinatura, ocorrerá operação assistida por 90 dias.
Nesse período, atual concessionária e novo operador atuarão conjuntamente.

Investimentos e estrutura da malha

Durante a transição, o governo estadual investiu R$ 160 milhões no sistema.
Entre as ações, destacou-se a substituição de cabos para reduzir furtos.
Além disso, o Estado ampliou a oferta de viagens em alguns ramais.

A malha ferroviária possui 270 quilômetros de extensão.
O sistema conta com cinco ramais e 104 estações.
Ao todo, 12 municípios da Região Metropolitana são atendidos.
Atualmente, cerca de 300 mil passageiros utilizam os trens diariamente.

Superlotação e críticas dos usuários

Apesar das mudanças anunciadas, passageiros relatam superlotação frequente.
Especialmente fora de eventos especiais, usuários enfrentam viagens precárias.

Uma passageira afirmou que o serviço melhora em dias de jogos.
No entanto, segundo ela, a rotina comum apresenta dificuldades constantes.
Outro usuário declarou que os problemas variam conforme horário e dia.

Além disso, falhas de manutenção aparecem em estações e composições.
Escadas rolantes quebradas e banheiros precários são frequentemente observados.
Problemas de acessibilidade também afetam idosos e pessoas com mobilidade reduzida.

Ana, cuidadora de idosos, relatou dificuldades para subir escadas.
Segundo ela, a ausência de suporte adequado agrava sua condição de saúde.

O valor da passagem também gera críticas.
Atualmente, a tarifa custa R$ 7,60, ou R$ 5 na modalidade social.
Para muitos usuários, o preço não corresponde ao serviço prestado.

Histórico da concessão

A SuperVia opera o sistema desde 1998.
Ao longo dos anos, a concessionária acumulou dificuldades financeiras.
Em 2023, a empresa comunicou incapacidade de manter a operação.

Ela citou prejuízos causados pela pandemia e furtos de cabos.
Além disso, mencionou o congelamento tarifário como fator determinante.

Posteriormente, um acordo judicial prorrogou a concessão até março de 2026.
Agora, o novo operador assumirá integralmente o sistema dentro desse prazo.

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