Oruam se entregou à polícia em julho, e agora conseguiu decisão para deixar a cadeia — Foto: Kleyton Cintra/TV Globo
O rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, deixou a Penitenciária Serrano Neves, em Bangu, Zona Oeste do Rio, às 17h08 desta segunda-feira (29). Ele estava preso desde 22 de julho e foi liberado após liminar do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que revogou a prisão preventiva.
Uma multidão aguardava a saída do cantor, e o amigo MC Poze do Rodo chegou por volta das 15h50 para acompanhar o momento. A soltura ocorre mediante medidas cautelares determinadas pela Justiça, já que Oruam é indiciado por sete crimes, incluindo tráfico de drogas, associação ao tráfico, resistência, desacato, dano, ameaça e lesão corporal.
Entre as medidas cautelares estão:
- Comparecimento mensal em juízo;
- Manutenção de residência fixa com endereço e telefone atualizados;
- Proibição de acesso ao Complexo do Alemão e áreas de risco;
- Proibição de contato com outros acusados e um adolescente citado no processo;
- Proibição de deixar a comarca por mais de sete dias sem autorização judicial;
- Recolhimento domiciliar noturno, das 20h às 6h;
- Uso de tornozeleira eletrônica monitorada pela Secretaria de Administração Penitenciária (Seap).
O cantor é filho de Márcio Nepomuceno, o Marcinho VP, apontado pelo Ministério Público como um dos chefes do Comando Vermelho, e possui tatuagens em homenagem ao pai e ao traficante Elias Maluco, condenado pelo assassinato do jornalista Tim Lopes.
Histórico da prisão
Oruam se entregou em julho, um dia após a prisão ser decretada, devido a um confronto com policiais no Joá, Zona Sudoeste. Ele foi acusado de impedir a apreensão de um menor de 17 anos ligado a tráfico e roubo de veículos, chegando a lançar pedras contra policiais. Na ocasião, ele pediu desculpas e afirmou que iria “dar a volta por cima”:
“Só pedir desculpa mesmo. Dizer que eu amo muito meus fãs. Eu vou dar volta por cima, tropa. Estou com Deus e tá tranquilão. Sou forte!”
Segundo o ministro Joel Ilan Paciornik, relator do caso no STJ, a prisão preventiva foi substituída por medidas cautelares porque “não foram apontados dados concretos a justificar a segregação provisória”, e a quantidade de drogas apreendida (73 gramas de cocaína) não era suficiente para manter a custódia cautelar.
A defesa do rapper afirmou que nunca existiram evidências do cometimento de crimes por parte dele e que Oruam cumprirá as medidas cautelares enquanto prova sua inocência no decorrer do processo.