Políticos que estavam em Israel começam a chegar no Rio de Janeiro — Foto: Thais Espírito Santo/g1
Os políticos fluminenses que estavam em missão oficial em Israel chegaram ao Rio de Janeiro na tarde desta quarta-feira (18), após enfrentarem dias de tensão provocados pelos ataques entre Israel e Irã.
Entre os integrantes do grupo, estavam o vereador carioca Flávio Valle, o secretário de Segurança de Niterói, Gilson Chagas, além dos prefeitos de Macaé e Nova Friburgo, Welberth Rezende e Johnny Maicon.
O grupo fazia parte de uma comitiva convidada pela Embaixada de Israel no Brasil, com o objetivo de conhecer tecnologias de segurança e ordenamento urbano.
Relatos de medo e noites em bunkers
Flávio Valle relatou que os ataques começaram quando o grupo já estava instalado no hotel. Segundo ele, o clima de segurança desapareceu após a recepcionista do hotel ser convocada pelo Exército israelense.
“Quando a gente viu que até o staff estava sendo chamado, percebemos que era hora de sair. Foram três ou quatro noites dentro de bunkers, sem conseguir dormir”, contou o vereador.
Além disso, Valle descreveu o som das explosões que vinham de fora e os alertas constantes que exigiam que todos se abrigassem imediatamente.
Rota de fuga até a Jordânia e retorno ao Brasil
Diante da escalada do conflito, a comitiva decidiu abandonar Israel por via terrestre. Eles embarcaram em uma van até a Jordânia e depois seguiram para a Arábia Saudita, onde descansaram em Tabuk.
Posteriormente, o grupo voou até Doha, no Catar, de onde finalmente conseguiu embarcar em um voo comercial com destino ao Brasil.
No total, a viagem de retorno durou cerca de 57 horas.
O diretor executivo da Civitas RJ, Davi Carreiro, também estava na missão e relatou o alívio ao chegar em solo brasileiro: “O sentimento é de gratidão por termos voltado vivos. Queríamos apenas retornar para nossas famílias”.
Cresce a preocupação com brasileiros em Israel
Além dos políticos fluminenses, outras autoridades de diferentes estados brasileiros também participaram da missão. Secretários estaduais e municipais, além de representantes do Consórcio Brasil Central, enfrentaram os mesmos desafios para deixar o território israelense.
O Itamaraty segue monitorando a situação dos brasileiros ainda em Israel. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, cerca de 12 mil brasileiros vivem no país, muitos com dupla nacionalidade.
No entanto, o governo federal ainda não anunciou uma operação de repatriação. Fontes do Itamaraty informam que o fechamento do espaço aéreo israelense torna qualquer ação de resgate mais complexa.
Atualmente, a orientação oficial desaconselha viagens não essenciais a Israel desde outubro de 2023, quando os conflitos com o Hamas se intensificaram.
Fonte: g1.globo.com