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Acusado de matar filho de Piruinha em 2017, contraventor já havia sido preso por corrupção e lavagem de dinheiro.

Marcelo Cupim — Foto: Reprodução/TV Globo

Agentes do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Militar prenderam nesta segunda-feira (30) o bicheiro Marcelo Simões Mesqueu, conhecido como Marcelo Cupim, em uma mansão na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. A Justiça o acusa de envolvimento direto no assassinato de Haylton Carlos Gomes Escafura, filho do também contraventor Piruinha, ocorrido em 2017.

Esta é a segunda vez que o MPRJ prende Cupim em menos de dois anos. Em 2023, o Gaeco já havia denunciado o bicheiro pelos crimes de organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro ligados à exploração de jogos de azar.

Além do mandado de prisão, a força-tarefa também cumpriu 15 mandados de busca e apreensão contra seis investigados, entre eles dois policiais militares.

Morte de herdeiro reacendeu guerra por territórios da contravenção

A morte de Haylton, apontado como sucessor do bicheiro José Caruzzo Escafura (Piruinha), teria sido motivada por uma disputa territorial. Segundo o MPRJ, Cupim havia arrendado parte dos pontos do jogo do bicho anteriormente controlados por Piruinha. No entanto, Haylton tentou retomar essas áreas e acabou morto.

Na mesma ocasião, a soldado Franciene de Souza, namorada de Haylton, também foi executada. Desde então, o caso permaneceu em aberto, até que novas diligências apontaram a ligação de Cupim com o crime.

O Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) apura ainda se matadores profissionais do grupo “Escritório do Crime” participaram da ação. Esse grupo é conhecido por envolvimento em execuções por encomenda no Rio.

Cupim já havia sido alvo da Operação Fim da Linha

Em novembro de 2023, a Polícia Civil já havia prendido Marcelo Cupim durante a Operação Fim da Linha, que investigava corrupção, lavagem de dinheiro e atividades ilícitas ligadas ao jogo do bicho. Conversas interceptadas com autorização judicial revelaram que o bicheiro atuava para impedir fiscalizações em pontos clandestinos.

De acordo com as investigações, Cupim mantinha uma rede de influência dentro das polícias Civil e Militar. Ele usava essa conexão para proteger estabelecimentos irregulares, em troca de propina. Em um dos áudios captados, Cupim declara domínio sobre regiões específicas:

“A área é minha e pronto, acabou. (…) Eu tenho vários negócios por lá”, afirmou, ao comentar o controle da área à esquerda da linha do trem em Cascadura.

Relação com Bernardo Bello amplia rede de influência

As investigações revelam também a ligação de Cupim com Bernardo Bello, um dos principais chefes do jogo do bicho na capital fluminense. A aliança entre ambos fortaleceu o controle da Zona Norte do Rio, região antes dominada por Piruinha.

A nova prisão representa um duro golpe contra a estrutura da contravenção carioca, marcada por disputas internas e conexões com forças de segurança. O MPRJ pretende aprofundar a apuração para identificar todos os envolvidos nos crimes.

Fonte: g1.globo.com

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