O Palacete do Parque Lage, na Zona Sul do Rio, está passando pela maior intervenção em seus 100 anos de história. Restauradores descobriram pinturas centenárias, tetos policromados e detalhes em gesso escondidos sob quatro demãos de tinta, enquanto a obra de R$ 21,4 milhões moderniza o imóvel para uso do público e da Escola de Artes Visuais (EAV), garantindo preservação histórica e acessibilidade.

Foto: Custodio Coimbra
O trabalho de restauração, iniciado em maio de 2025, envolve a recuperação das superfícies originais, além da modernização da infraestrutura do palacete. As intervenções incluem acessibilidade, iluminação, instalações elétricas e hidráulicas, climatização e sistema moderno de combate a incêndio. A expectativa é que o espaço esteja totalmente pronto em julho de 2026, permitindo que visitantes e alunos descubram detalhes artísticos antes ocultos.
No interior do palacete, restauradores utilizam técnicas precisas, como bisturis e solventes em gel, para remover camada por camada de tinta, preservando a pintura original. “Encontramos a pintura decorativa original, e estamos tentando resgatá-la. Foram pelo menos quatro camadas de tinta até chegar a esse ponto”, explica a restauradora Alice Torres. A equipe também analisa pigmentos antigos à base de óleo e esmalte, contrastando com camadas mais recentes em acrílico.
A antiga biblioteca, que serviu aos alunos da EAV, revelou um teto policromado com ornamentos em gesso, paredes com quadriculados detalhados e arabescos em tons de azul, vermelho e ocre. Uma pequena saleta, nunca aberta ao público, exibiu iconografias sacras e cabeças de anjo. A suíte principal do casal Lage, hoje sala da direção, apresentou texturas onduladas e molduras em gesso que estão sendo parcialmente restauradas.
A fachada do palacete também recebe atenção especial. Após limpeza com escovas aquosas e secas, produtos químicos controlados removem agentes biológicos e manchas, sem prejudicar a estrutura original. A primeira entrega da fachada está prevista para fevereiro de 2026.
A famosa piscina do Parque Lage, cenário de filmes como Macunaíma (1969), passou por recomposição do concreto e limpeza, recuperando seu brilho original. Durante as obras, as aulas da EAV foram temporariamente transferidas para as cavalariças, garantindo continuidade das atividades pedagógicas.
O Palacete do Parque Lage foi construído na década de 1920 e abriga o Instituto de Belas Artes desde 1966, hoje Escola de Artes Visuais. Tombado pelo IPHAN em 1957, é o segundo ponto turístico mais visitado da cidade, atrás apenas do Corcovado. O restauro promete unir preservação histórica, modernização estrutural e valorização da memória artística do Rio de Janeiro.