Durante o Rio Innovation Week 2025, o Rio de Janeiro apresentou um ambicioso plano para transformar a cidade em um dos dez maiores polos de inteligência artificial (IA) do mundo até 2032. O projeto, batizado de “Rio AI City”, pretende atrair US$ 65 bilhões em investimentos e construir um complexo de data centers sustentáveis, com foco na formação de talentos e na exportação de soluções tecnológicas.
Com esse movimento, a cidade quer deixar de ser conhecida apenas pelo turismo e samba para se firmar como referência internacional em tecnologia e inovação.
Infraestrutura robusta e compromisso sustentável
A Prefeitura do Rio, em parceria com empresas e órgãos federais, aposta na construção de um mega campus de data centers no Parque Olímpico, na Barra da Tijuca. A primeira fase, com potência de 1,5 gigawatt (GW), deve ser entregue até 2027. Até 2032, o complexo pode atingir 3,2 GW, o equivalente ao consumo de 6 milhões de residências por dia.
A Elea Data Centers, empresa âncora do projeto, já opera o RJO1 e prevê a entrega de novas unidades nos próximos anos, consolidando o Rio como hub de infraestrutura digital. Todos os data centers utilizarão energia 100% limpa e renovável, com sistemas de resfriamento que dispensam água, garantindo a sustentabilidade ambiental.
Cidade quer atrair investimentos e liderar exportação de tecnologia
A Prefeitura assinou um Memorando de Entendimentos com o BNDES, Eletrobras, Finep e os ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação, e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. As autoridades querem posicionar o Brasil com protagonismo internacional no setor de IA.
Temos recursos naturais, infraestrutura energética com a Eletrobras, capital humano qualificado e conectividade internacional via cabos submarinos”, destacou Eduardo Cavaliere, vice-prefeito do Rio. “O Rio está pronto para liderar essa revolução digital”, afirmou.
Alta demanda energética levanta preocupações
Apesar do otimismo, o projeto desperta alertas sobre o alto consumo energético. Especialistas estimam que os quatro principais data centers de IA do Brasil — incluindo o Rio AI City — podem consumir energia equivalente a mais de 16 milhões de residências. A transparência sobre os impactos ambientais, segundo analistas, ainda precisa avançar.
Byron Mendes, curador do Palco de IA do RIW 2025, reforça que, embora o Brasil tenha uma matriz energética limpa, é fundamental garantir responsabilidade no uso de recursos. “A IA concentra poder. Precisamos garantir que ela seja usada com ética, inclusão e eficiência”, afirmou.
Rio Innovation Week 2025 será palco central dos debates
O Rio Innovation Week, de 12 a 15 de agosto no Pier Mauá, reunirá especialistas e lideranças para debater os impactos do Rio AI City. O evento terá como tema “Um olhar através da ética”, destacando o uso responsável da tecnologia.
Destaques da programação:
- Painel “Rio do Amanhã”: terça-feira (12), às 11h, discute políticas públicas e ecossistema de startups.
- Apresentação da Elea Data Centers: quarta-feira (13), às 17h, revela detalhes técnicos e planos de expansão.
- Painel “Cidade Inteligente, Gestão Ética”: quarta-feira (13), às 15h30, aborda inclusão digital, transparência e IA na gestão pública.
Fontes: g1.globo.com/