O Rio de Janeiro é a capital que mais consome cultura no Brasil, segundo a pesquisa Cultura nas Capitais, lançada nesta quarta-feira (19) no Museu do Amanhã. O levantamento, realizado pela JLeiva Cultura & Esporte, analisou os hábitos culturais em 26 capitais e no Distrito Federal, com base em entrevistas de 19,5 mil moradores.
Consumo cultural acima da média
A pesquisa apontou que o Rio de Janeiro está acima ou na média nacional na maioria das atividades culturais, incluindo leitura, cinema, teatro, shows, jogos eletrônicos e visitas a locais históricos. No entanto, eventos de dança e saraus registraram menor adesão.
O diretor da JLeiva Cultura & Esporte, João Leiva, destacou que a forte rede de teatros e museus da cidade, ampliada com as obras para a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, contribui para o alto consumo cultural. Segundo ele, esses dados permitem criar políticas de incentivo, como gratuidade e sistemas de transporte para ampliar o acesso.
Preferências musicais e resistência ao sertanejo
A MPB é o gênero musical mais popular entre os cariocas, citado por 39% dos entrevistados. Em seguida, aparecem pagode (30%), gospel (25%), rock (24%), pop (19%), sertanejo (17%), samba (15%) e funk (13%). Enquanto em outras capitais o sertanejo lidera com 34% da preferência, o Rio se destaca como uma das cidades que menos consomem o gênero, ficando atrás apenas do Recife.
Festas juninas superam o carnaval em presença de público
Embora o carnaval seja considerado o evento mais importante do Rio por 27% dos entrevistados, as festas juninas tiveram maior frequência: 77% afirmaram ter participado dessas celebrações nos últimos meses. Blocos de carnaval registraram presença de 53% e desfiles das escolas de samba, 30%.
João Leiva explica que a maior duração das festas juninas e sua distribuição por várias regiões da cidade contribuem para essa diferença. Além disso, essas celebrações atraem um público mais diverso, incluindo idosos, que participam menos de outras atividades culturais.
Influência da escolaridade no consumo cultural
A pesquisa identificou uma queda geral na participação em atividades culturais desde 2017, exceto no consumo de jogos eletrônicos. Para Leiva, essa retração pode estar relacionada a questões socioeconômicas ou mudanças de hábitos causadas pela pandemia. No entanto, ele ressalta que só será possível entender esse impacto com mais precisão nos próximos anos.
A gerente do Observatório da Fundação Itaú, Carla Chiamareli, destacou que a escolaridade influencia mais no consumo cultural do que a renda. Segundo ela, a pesquisa reforça a importância de políticas que integrem educação e cultura, garantindo acesso às atividades culturais desde a escola.
O estudo foi realizado com o apoio do Instituto Cultural Vale e do Itaú, em parceria com a Fundação Itaú. O evento de lançamento contou com a presença de autoridades da cultura do estado e do município.
Fontes: extra.globo.com/diariodorio.com