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Feira de tecnologia em Las Vegas dedica pavilhão inteiro à robótica e revela como a “IA física” começa a sair do laboratório para o mundo real.

Foto: Bridget Bennett/Bloomberg
Servir café, dobrar roupas, jogar pingue-pongue e até organizar cartas de pôquer deixaram de ser cenas de ficção científica. Na CES 2026, realizada em Las Vegas, robôs humanoides roubaram a cena ao demonstrar, em tempo real, habilidades que apontam para o futuro da automação doméstica, industrial e de serviços.

Humanoides viram aposta central da indústria

Os robôs inspirados no corpo humano — chamados de humanoides — surgem como uma das principais apostas do setor de tecnologia para os próximos anos. Capazes de ficar eretos, manipular objetos e usar ferramentas humanas, eles prometem executar tarefas cotidianas de forma mais eficiente, embora ainda enfrentem desafios técnicos e de custo.

A importância do tema ficou clara quando a Consumer Technology Association, organizadora do evento, dedicou um pavilhão inteiro à robótica, sinalizando que a chamada IA física é a próxima grande fronteira da inovação.

Ajudantes domésticos ainda em fase experimental

Entre os destaques, empresas apresentaram robôs como ajudantes domésticos e potenciais companheiros do dia a dia. O desafio, no entanto, é enorme. Enquanto fábricas oferecem ambientes controlados, uma casa comum é imprevisível, cheia de obstáculos e variáveis.

Um dos exemplos mais comentados foi o CLOiD, robô apresentado pela LG Electronics. Com cerca de 1,5 metro de altura e uma tela digital no lugar dos olhos, o humanoide atravessou o palco, acenou ao público e colocou roupas em uma máquina de lavar — lentamente, mas de forma funcional.

Foto: Bridget Bennett/Bloomberg

Segundo executivos da LG, a ideia é criar uma automação doméstica integrada, capaz de reduzir tarefas repetitivas e aumentar o conforto no lar.

Robôs conceituais e tarefas específicas

Além do CLOiD, outras empresas exibiram robôs focados em funções bem definidas, como a SwitchBot, com modelos sobre rodas pensados para atividades pontuais. A estratégia reflete uma tendência clara: robôs especializados tendem a chegar ao mercado antes dos humanoides “faz-tudo”.

Avanços recentes em controle motor fino, especialmente no uso das mãos, permitiram que essas máquinas realizem múltiplas tarefas simultaneamente — algo que, até pouco tempo atrás, era um grande obstáculo tecnológico.

Indústria, logística e serviços puxam adoção

Apesar do fascínio pelos robôs domésticos, os usos mais imediatos continuam no ambiente corporativo. Na CES 2026, empresas exibiram soluções robóticas para manufatura, logística e alimentação, incluindo cafés e lojas automatizadas.

Gigantes como a Qualcomm reforçaram que seus chips e softwares são a base da IA física, capazes de alimentar desde pequenos robôs até humanoides em tamanho real.

Já a Boston Dynamics, controlada pela Hyundai Motor, anunciou testes avançados da nova geração do robô humanoide Atlas em fábricas da montadora nos Estados Unidos.

Desafios ainda limitam o uso doméstico

Mesmo com bilhões de dólares investidos, especialistas alertam que ainda há obstáculos importantes. Robôs com pernas podem ser instáveis, caros e complexos de manter. Por isso, muitas empresas optam por modelos sobre rodas ou designs híbridos.

Ambientes como hospitais e centros logísticos aparecem como aplicações mais viáveis no curto prazo, onde tarefas repetitivas em grande escala justificam o investimento.

Segundo analistas do setor, os humanoides precisam evoluir para tomar decisões autônomas, lidar com imprevistos e reduzir drasticamente os custos antes de se tornarem comuns nas residências.

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