Foto: Reprodução/TV Globo
O número de roubos de carros elétricos disparou no estado do Rio de Janeiro e já registra um aumento de aproximadamente 30% em relação aos anos anteriores, segundo dados do Sindicato das Seguradoras do Rio de Janeiro e Espírito Santo. O avanço preocupa especialistas em segurança, que apontam que criminosos estão percebendo nesses veículos uma oportunidade estratégica: carros elétricos podem ser carregados dentro de comunidades sem a necessidade de postos de combustível, facilitando a circulação e a exploração do crime na região.
O crescimento ocorre em um cenário em que o roubo e furto de veículos, no geral, também subiu no estado — foram mais de 48 mil registros apenas em 2024, alta de 24% na comparação com o ano anterior.
Criminosos miram elétricos pela praticidade e pela possibilidade de uso contínuo dentro de comunidades
De acordo com o sindicato, o aumento não é aleatório. Para as quadrilhas, manter um carro elétrico dentro de áreas dominadas é mais simples do que esconder e abastecer um veículo a combustão.
“Pela facilidade da manutenção e, principalmente, da recarga dentro das comunidades, eles não precisam sair para abastecer. Isso evita exposição e reduz riscos durante o deslocamento”, explicou Bernardo Câmara, vice-presidente do sindicato.
O relato de moradores reforça o cenário. Um proprietário de carro elétrico — vítima de roubo na Abolição, durante o feriado de 7 de setembro — afirma que faz parte de um grupo com outros motoristas e que o aumento tem sido percebido em diversas regiões do Rio.
“Só aqui na região já foram três carros roubados do mesmo grupo”, contou.
RJ concentra 108 mil carros elétricos — e números de roubos seguem em alta
O Brasil tem cerca de 1,2 milhão de carros elétricos circulando, e o Rio de Janeiro representa 9% dessa frota, com aproximadamente 108 mil veículos.
Somente em 2025, os roubos de elétricos atingiram 675 registros, número superior ao contabilizado em 2023, consolidando o aumento de 30%.
Na última semana, o Globocop flagrou um carro elétrico sendo usado como barricada na comunidade Cidade Alta — o que exemplifica o novo interesse das organizações criminosas sobre esse tipo de veículo.